Os grandes livros não nasceram da pressa,
Nem do relógio que exige respostas imediatas.
Foram tecidos no silêncio das horas longas,
Onde as palavras amadurecem lentamente
Como frutos escondidos entre as folhas.
O leitor apressado atravessa páginas,
Mas deixa para trás os jardins secretos.
Vê a estrada, mas ignora as margens,
Onde florescem perguntas antigas
E respostas que não se mostram de imediato.
Há livros que pedem morada, não visita;
Que exigem a calma dos viajantes atentos.
Sentam-se ao nosso lado durante anos,
Sussurrando sentidos novos a cada retorno,
Como velhos amigos que nunca se esgotam.
Em um mundo que corre sem descanso,
Ler devagar tornou-se quase um gesto rebelde.
Cada página lida com atenção
É uma pequena vitória contra o ruído
Que dispersa os pensamentos e os dias.
E quando o livro finalmente se fecha,
Algo dentro de nós permanece aberto.
As grandes obras não terminam na última página;
Continuam vivendo em nossas memórias,
Como estrelas que brilham após o anoitecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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