quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Cinismo

Na sombra pesada da escolha sombria, 
Caminha o silêncio de uma ironia. 
Um peso nos ombros, olhar que vacila, 
Sabe que o amanhã tem um preço que oscila. 

O tempo congela no instante primeiro, 
Em que a mão treme sobre o tinteiro. 
Há vozes que gritam, há rostos que clamam, 
Mas o destino exige que todos se calem. 

É preciso, diz a razão, com frieza, 
Que a dor se espalhe como correnteza. 
Inúmeras vítimas, um eco em ruínas, 
Marcam no chão as linhas tão finas. 

Uma tentativa, no escuro, se faz, 
De salvar o futuro em um ato audaz. 
Mas quem conta as almas que ficam atrás? 
Quem escreve o lamento que a história desfaz? 

Decidir é punir, é externar um cinismo, 
É dançar na borda de um grande abismo. 
A decisão pesa, é faca que corta, 
Uma vida que segue, outras tantas, mortas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Caminhos não percorridos

Alguns caminhos podem não ser ideais 
Podem esconder armadilhas 
Podem não ser propícios a caminhar 
Alguns ecos são altos demais 
Podem assustar os fantasmas 
Ou percorrer o vazio existencial 
De quem só desejava descansar.
 
Pode ser que do outro lado 
Existam apenas frutos vencidos 
Memórias de uma imaginação 
Que não permanece por muito tempo 
Pode ser que crianças e velhos 
Percorram as mesmas estradas 
Apenas em tempos diferentes 
E vejam a mesma coisa e sintam 
Que a verdade pode ser bem sugestiva. 

Existem caminhos não percorridos 
Onde alguém está parado 
Esperando que o tempo passe devagar 
Para não espantar os peregrinos 
Um lugar onde os sonhos mais loucos 
São mais reais que se possa imaginar 
E que alguns dos sonhadores são jovens 
Que esperam a sua vez para seguirem 
O caminho que se apresenta diante deles. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 23 de novembro de 2024

Amor que não se apaga

Amor que arde, chama incontrolável, 
Rastro de fogo em meu peito marcado, 
Eterno fardo, doce e imutável, 
Meu coração por ti vive acorrentado. 

No fundo da alma, teu brilho flameja, 
Mesmo que o tempo insista em apagar, 
E cada memória, qual vela, lateja, 
Iluminando o que tentei calar. 

És tempestade e também calmaria, 
És o abismo e o céu onde habito, 
Contradição que me faz poesia. 

Por mais que o mundo clame ao infinito, 
Nada suprime essa força sombria: 
Amor sem fim, meu eterno conflito. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Travessia silenciosa

O que pode nos fazer pensar 
Quando a vida não faz sentido? 
O que é o sofrimento 
Se não soubermos o propósito? 
A vida é uma eterna busca 
Uma viagem ao desconhecido 
Onde não sabemos ao certo 
O que iremos encontrar. 
Alguns acreditam em descanso eterno 
Outros em sofrimento 
E outros em nada mais que o silêncio 
E quem pode nos dizer a verdade? 
Tudo é tão desconfortável 
Quando se vai chegando ao fim dos dias 
Um desconforto é palpável 
Nos olhos turvos da velhice. 
Será que o barqueiro nos espera 
Para a travessia silenciosa? 
Tudo é uma incógnita 
Um grande mistério 
Que não podemos desvendar 
Apenas carregar na imaginação. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 17 de novembro de 2024

Nos olhos do poeta

Nos olhos do poeta há um mundo estranho, 
Feito de sonhos e de céu desfeito, 
Onde a vida se pinta em tom mais castanho, 
E o comum se torna raro, perfeito. 

Ele vê o que o vento canta nas praças, 
Nas folhas dançando ao redor dos dias, 
E escuta o silêncio que passa em brasa, 
Entre as cores pálidas das melancolias. 

Seus sonhos são vastos como o mar sem fim, 
Onde nada é chão, e tudo é corrente; 
Anseia por versos que nasçam assim, 
Livres, voando em seu próprio presente. 

Quer transformar as dores em poesia, 
As noites sem lua em promessas de amor; 
Vê no ordinário uma doce magia, 
E nas sombras, traços de um céu de esplendor. 

Por isso, caminha sozinho e inquieto, 
Buscando beleza onde poucos a veem, 
Tecendo em palavras seu rumo discreto, 
E amando o mundo que seus versos têm. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 16 de novembro de 2024

A jornada do herói

No espelho da lâmina, o herói vê seu avesso, 
Traz nas mãos as cicatrizes, o ferro e a promessa. 
Olhos firmes, mas cansados, ele avança ao que é incerto, 
Como se cada passo fosse um grito à beira do deserto. 

E o monstro – quem é ele? 
Sombra em carne, voz quebrada, 
Um reflexo distorcido do herói que o enfrenta, 
Ou quem sabe um velho amigo, de alma envenenada? 

Descampado da dor, vazio e vento açoitante, 
O herói tomba, tropeça, se ajoelha, e vai além, 
Entre ecos e palavras soltas, desfeitas, dissonantes, 
Ele colhe seus pedaços no silêncio que não tem. 

A jornada não lhe fala do fim, nem do começo; 
É só um tempo estendido, um mapa manchado, 
Onde às vezes ele acha sentido, às vezes só tropeça 
No vazio entre o fôlego e o chão machucado. 

E o fim? Ah, o fim... 
Será a queda ou o triunfo sem ninguém para assistir? 
Uma chama apagada, um fôlego que se perde, 
Ou o próprio monstro, sem nome, que o espera para sorrir? 

O herói, o monstro, a estrada. 
Nada além do eco em meio ao nada. 
E o final, quem sabe, 
É só o silêncio onde ele se apaga. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Cada minuto

Cada minuto que passa 
Sinto meu coração apertar de saudade. 
Seus olhos meigos 
Que sempre brilham de desejo 
É a causa do meu amor por você. 
Amo-te com um amor profundo 
Que ultrapassa minhas emoções 
E me leva, em pensamento, até onde posso 
Ver o seu sorriso. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Solidão em dias comuns

Há um silêncio que pesa no ar, 
Um vazio que ecoa na sala vazia. 
O relógio, com seu tique-taque a lembrar, 
Parece zombar dessa longa monotonia. 
 
A janela emoldura o mesmo cenário, 
O céu cinzento, a rua deserta. 
O tempo se arrasta, num tom ordinário, 
E o dia se desfaz, como poeira incerta. 
 
Os móveis guardam memórias antigas, 
Vozes perdidas em outra estação. 
Mas hoje, tudo é sombra e fadiga, 
Uma dança lenta nessa triste solidão. 
 
Tento buscar em livros, em canções, 
Algo que afaste esse peso no peito, 
Mas o vazio, em suas proporções, 
Preenche o espaço e tudo é desfeito. 
 
Dias comuns são sempre assim, 
Uma angústia que permeia o coração. 
Como se tudo não mostrasse o fim, 
Do amor que estava naquela canção. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Nem tudo pode ser esquecido

 Entenda que nem tudo está perdido 
O dia ruim também passa 
Assim como a tristeza de outrora 
Que você mal lembra o que causou 
Não desista no caminho 
Não permita o desânimo tomar conta 
Porque o tempo não espera 
A alegria não cobra nada quando você sorri 
Apenas a distância pode ser perigosa 
O caos é um chamado 
Para ver o abismo a sua frente 
Se deixar a monotonia ser a força da sua vida 
Tudo pode ser perdido 
Nem tudo pode ser esquecido 
Se você não olhar a sua frente 
O mundo pode ser mais cruel do que você pensa 
E nada poderá salvar-te 
Do profundo pesar de um dia chuvoso 
Quando as águas parecem lágrimas 
De alguém que nunca mais verá o sol. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 2 de novembro de 2024

De que lado você está?

Sempre há os que buscam a paz 
Aqueles que desejam a tranquilidade 
De um entardecer 
Ou da brisa na alvorada 
E em seus corações o desejo de uma vida melhor 
O mundo precisa de gente assim 
De sonhos concretos 
De alguém que vá fazer a coisa certa. 

Do outro lado da margem 
Há os que estão descontentes 
Os que só pensam em maldade 
E escondem os seus maus intentos 
Mas concorrem para o derramamento de sangue 
E fazem um dano terrível na sociedade 
Humilham os inocentes 
Pisam na dignidade alheia. 

Há aqueles que exigem o tapete vermelho 
Que querem mandar em tudo 
Que não respeitam o próximo 
Sanguessugas exploradoras 
Que causam um desconforto à sociedade 
Aves de rapinas com ideais tenebrosos e sutis 
Que destroem os sonhos 
E roubam a felicidade dos inocentes. 

Na outra via da estrada 
Estão os que constroem as oportunidades 
Que lutam incansavelmente pelo bem 
E estendem suas mãos cansadas 
Para ajudar aqueles que estão ainda mais cansados 
Porque é assim que deve ser 
E batalham todos os dias pela paz 
Contra as injustiças socias. 

Em qual dos lados você está? 
O que move os seus sonhos? 
Que os nossos objetivos sejam a paz 
O equilíbrio entre os povos 
O respeito mútuo de todas as pessoas do planeta 
E, assim, teremos um mundo mais justo
Onde possa imperar a harmonia 
E a dignidade humana. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense