Tudo fala ao mesmo tempo.
As vozes do mundo,
As expectativas dos outros,
Os medos que herdamos,
Os desejos que nos atravessam
Como ventos sem direção.
Tudo exige urgência.
Tudo parece importante.
E assim o espírito se cansa.
Mas um dia,
Quase sempre depois de muitas tempestades,
Aprendemos a organizar o silêncio.
Descobrimos que nem todo ruído
Merece morada em nós.
Algumas palavras
Devem ficar do lado de fora da porta.
Algumas memórias
Precisam apenas passar,
Como nuvens que não pedem abrigo.
Então nasce uma ordem invisível.
O essencial sobe
Como quem encontra
O lugar mais alto da casa.
O que é pequeno
Aprende a ficar pequeno.
O que é barulho
Já não governa o coração.
E ali, nesse território recém-arrumado,
Algo inesperado floresce:
A paz.
Não a paz frágil
Que depende de dias sem conflito,
Nem a paz que pede ao mundo
Que se torne gentil.
Mas a paz firme
De quem governa a própria alma.
Porque quem aprende
Essa hierarquia secreta da vida
Descobre, enfim,
Que a paz nunca esteve fora.
Ela sempre esperou
Na disciplina silenciosa de dentro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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