sábado, 16 de novembro de 2024

A jornada do herói

No espelho da lâmina, o herói vê seu avesso, 
Traz nas mãos as cicatrizes, o ferro e a promessa. 
Olhos firmes, mas cansados, ele avança ao que é incerto, 
Como se cada passo fosse um grito à beira do deserto. 

E o monstro – quem é ele? 
Sombra em carne, voz quebrada, 
Um reflexo distorcido do herói que o enfrenta, 
Ou quem sabe um velho amigo, de alma envenenada? 

Descampado da dor, vazio e vento açoitante, 
O herói tomba, tropeça, se ajoelha, e vai além, 
Entre ecos e palavras soltas, desfeitas, dissonantes, 
Ele colhe seus pedaços no silêncio que não tem. 

A jornada não lhe fala do fim, nem do começo; 
É só um tempo estendido, um mapa manchado, 
Onde às vezes ele acha sentido, às vezes só tropeça 
No vazio entre o fôlego e o chão machucado. 

E o fim? Ah, o fim... 
Será a queda ou o triunfo sem ninguém para assistir? 
Uma chama apagada, um fôlego que se perde, 
Ou o próprio monstro, sem nome, que o espera para sorrir? 

O herói, o monstro, a estrada. 
Nada além do eco em meio ao nada. 
E o final, quem sabe, 
É só o silêncio onde ele se apaga. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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