segunda-feira, 9 de março de 2026

O olhar além das ruínas

 Abrir os olhos não é apenas acordar. 
É permitir que a luz atravesse 
As ruínas que carregamos. 
Tem dias em que tudo parece um campo de escombros: 
Sonhos quebrados, planos que não chegaram, 
Palavras que ficaram presas no ar 
Como pássaros feridos. 
Mas mesmo nas cidades destruídas 
O vento ainda encontra caminhos entre as pedras. 
 
Abrir os olhos é perceber isso. 
Que entre as rachaduras do concreto 
Sempre nasce alguma coisa verde. 
E então abrimos os braços. 
Não para vencer o mundo, 
Mas para senti-lo. 
 
O vento passa pelo corpo 
Como se lembrasse à pele 
Que estamos vivos. 
O cheiro das flores não pergunta 
Se merecemos beleza. 
Elas simplesmente existem, 
E nos alcançam. 
 
Quem sabe viver seja isso: 
Olhar além das ruínas 
Sem negar que elas estão ali, 
Mas também não esquecer 
Que há céu acima delas. 
Respirar fundo. 
Sentir o vento. 
Cheirar as flores. 
Porque, no fim, 
Antes de qualquer explicação do universo, 
Nós estamos aqui. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário