terça-feira, 10 de março de 2026

Muros e pontes

 Tem pessoas que chegam como rios 
E pedem passagem. 
Para elas, não se levantam barreiras, 
Constrói-se pontes. 
Pontes feitas de escuta, 
De confiança, 
De silêncios compartilhados 
Onde ninguém precisa se defender. 
 
Mas há também quem chegue 
Como tempestade que destrói jardins 
E pisa nas sementes 
Que ainda nem tiveram tempo de nascer. 
Para essas presenças, 
Não se oferece passagem. 
Ergue-se muros. 
 
Muros não de ódio, 
Mas de lucidez. 
Porque aprender a viver 
Também é aprender 
Que o coração não é praça pública. 
 
Há quem mereça atravessar nossa vida 
De mãos dadas. 
E há quem precise permanecer 
Do lado de fora 
Daquilo que levamos de mais sagrado. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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