Dizem que há nomes que não podem ser pronunciados
Porque carregam dentro deles
A força para despertar tempestades.
O seu é um desses.
Não porque seja proibido,
Mas porque, se eu o disser como sinto,
O mundo pode se partir em dois.
Há noites em que acordo
Com a certeza de que esse sentimento
Não nasceu agora.
Ele vem de antes.
De outra vida,
De outra história que não terminou.
E aqui estamos, repetindo a cena,
Com as mesmas mãos hesitantes,
O mesmo silêncio que pesa como pedra.
Sinto como se eu tivesse feito um pacto sem saber:
Guardar seu nome preso dentro de mim
Até que o tempo me esqueça.
E nesse pacto, falar seria quebrar o selo
Que mantém as sombras quietas.
Quando você está perto,
O ar muda de cor.
É como andar por um campo onde,
Sob a terra, dorme um animal imenso.
Um passo errado e ele acorda.
E eu…
Eu sou o passo errado.
Se um dia eu falar,
Não será uma declaração.
Será um feitiço antigo,
A chave para uma porta que ninguém deveria abrir.
E talvez, ao abrir,
Não sobre nada de nós dois para contar a história.
Até lá, sigo amaldiçoado:
Te olhando como quem lê uma profecia,
Te guardando como quem esconde uma arma carregada,
Te amando como quem segura o próprio fim
Na palma da mão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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