Há quem caminhe pela vida
Como quem dobra esquinas imaginárias.
Acredita que logo ali,
Depois da próxima curva da rua,
Da próxima cidade,
Do próximo rosto bonito,
Alguma coisa finalmente acontecerá,
Algo que justificará todas as esperas.
Mas a esquina
É uma promessa que nunca aprende a cumprir.
Cada nova rua parece carregada de esperança:
Talvez a próxima conversa seja diferente,
Talvez o próximo olhar permaneça,
Talvez a próxima garota
Seja exatamente aquela que, em segredo,
Sempre se esperou encontrar.
E então vem o encontro.
O sorriso.
Alguns dias de luz.
Depois, de novo, a esquina.
Há uma espécie de miragem emocional
Que nos empurra para frente:
A crença de que a vida verdadeira ainda não começou,
Que o amor real ainda não chegou,
Que o lugar certo ainda está alguns passos adiante.
Mas às vezes a ilusão não está na esquina.
Está em nós.
Porque passamos pelas pessoas
Como viajantes que não desmontam as malas.
Olhamos os rostos
Procurando aquilo
Que já imaginamos antes de conhecê-los.
E quando não encontramos
Exatamente o sonho, seguimos andando.
Outra esquina.
Outra promessa.
Até que um dia se percebe algo desconcertante:
Talvez a vida
Não esteja escondida na próxima esquina.
Talvez ela estivesse
Nas ruas pelas quais passamos distraídos.
E talvez aquela garota
Que parecia não ser “a certa”
Apenas tivesse chegado no momento
Em que ainda estávamos ocupados demais
Procurando a próxima curva da estrada.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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