Não passo, eu permaneço nos detalhes,
Recolho o que escapa das mãos do tempo,
Ouço o silêncio escondido nas esquinas,
E visto a vida com palavras ainda cruas.
Vejo no rosto alheio um espelho partido,
Cada fragmento me conta uma história,
O riso, às vezes, é máscara cansada,
O olhar distante revela um abismo,
E eu transformo tudo em verso pulsante.
Caminho lento enquanto o mundo corre,
Sou abrigo do instante que ninguém guarda,
No vento, leio recados invisíveis,
Nas portas fechadas, imagino universos,
E na poeira, descubro memórias esquecidas.
Não fujo do peso das coisas simples,
Há poesia até no cansaço das mãos,
No suspiro que ninguém percebeu,
No adeus que ficou preso na garganta,
Eu recolho dores como quem colhe flores.
Sigo escrevendo o que me atravessa,
Sou feito de encontros que não me pertencem,
Transformo o viver em linguagem da alma,
Pois tudo que toco me pede eternidade,
E eu respondo, existo em forma de poesia.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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