Pois as casas, os objetos e os caminhos passam.
O que hoje me serve, amanhã servirá a outro.
Não lamento a transitoriedade das coisas,
Porque o rio não se entristece por seguir seu curso.
Aprendo a usar sem me prender,
E a partir sem carregar correntes.
Vejo homens disputando sombras temporárias,
Como se o tempo pudesse ser aprisionado.
Mas a fortuna chega e parte sem aviso,
Indiferente aos desejos que alimentamos.
Por isso cultivo o que ela não governa:
A retidão do caráter e a serenidade da mente,
Tesouros que nenhum contrato alcança.
Se tudo é empréstimo, que eu seja grato.
Se tudo é breve, que eu seja justo.
Se tudo muda, que eu permaneça firme.
Não busco possuir o mundo por inteiro,
Mas habitar com dignidade o lugar que me cabe.
E quando chegar a hora de devolver as chaves,
Que eu parta em paz, sem nada reclamar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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