quinta-feira, 11 de junho de 2026

Poesia cósmica

O amor lê a distância como quem decifra um sussurro antigo, 
Recolhe da noite aquilo que o tempo tentou esconder, 
E pousa leve sobre o silêncio dos corpos que esperam. 
Há nele uma ciência secreta, sem mapas ou medidas, 
Uma forma de saber que nasce antes da palavra. 

Ele atravessa o escuro como quem reconhece um lar, 
Mesmo quando tudo é estranho e sem nome. 
Nas estrelas mais frias encontra vestígios de calor, 
Como se cada ponto distante guardasse uma memória 
Do que fomos antes de sabermos que éramos. 

Se lê o que está escrito no longínquo do universo, 
É porque também escuta o que treme no peito. 
O coração, esse território inquieto e desordenado, 
Não se esconde de quem aprendeu a sentir o invisível, 
Nem resiste ao toque de quem sabe esperar. 

Amar é abrir-se como céu em noite profunda, 
É permitir que alguém leia tuas constelações internas, 
Mesmo aquelas que ainda não têm nome. 
É aceitar que há verdades que não se dizem, 
Mas se revelam no instante em que dois silêncios se encontram. 

E quando enfim o amor compreende, ele não explica, 
Não traduz em palavras o que arde no íntimo. 
Ele apenas permanece vasto, atento, inevitável, 
Como uma estrela que insiste em brilhar, 
Mesmo quando ninguém olha para o céu. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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