Recolhe da noite aquilo que o tempo tentou esconder,
E pousa leve sobre o silêncio dos corpos que esperam.
Há nele uma ciência secreta, sem mapas ou medidas,
Uma forma de saber que nasce antes da palavra.
Ele atravessa o escuro como quem reconhece um lar,
Mesmo quando tudo é estranho e sem nome.
Nas estrelas mais frias encontra vestígios de calor,
Como se cada ponto distante guardasse uma memória
Do que fomos antes de sabermos que éramos.
Se lê o que está escrito no longínquo do universo,
É porque também escuta o que treme no peito.
O coração, esse território inquieto e desordenado,
Não se esconde de quem aprendeu a sentir o invisível,
Nem resiste ao toque de quem sabe esperar.
Amar é abrir-se como céu em noite profunda,
É permitir que alguém leia tuas constelações internas,
Mesmo aquelas que ainda não têm nome.
É aceitar que há verdades que não se dizem,
Mas se revelam no instante em que dois silêncios se encontram.
E quando enfim o amor compreende, ele não explica,
Não traduz em palavras o que arde no íntimo.
Ele apenas permanece vasto, atento, inevitável,
Como uma estrela que insiste em brilhar,
Mesmo quando ninguém olha para o céu.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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