quinta-feira, 11 de junho de 2026

O eco do que não te disse

Havia palavras guardadas pra ti, 
Mas guardei demais. 
E agora, são cacos dentro do peito 
Que me cortam toda vez 
Que tento esquecer teu nome. 

Fiquei calado quando devia ter gritado, 
E gritei por dentro quando já era tarde. 
Tu te foste leve, 
Como quem desaprende de repente 
A ser abrigo. 

E eu fiquei aqui, 
Com as palavras que não disse, 
Morrendo de sede ao lado do poço 
Onde um dia bebi teu olhar. 

Há noites em que quase te escrevo, 
Mas me falta coragem, 
Me sobra ausência. 
E o que eu queria dizer 
Já não alcança mais teu coração, 
Porque não é mais teu, 
Nem meu, 
Nem de ninguém. 

É só ruína. 
Ruína do que poderia ter sido 
Se eu tivesse falado 
Na hora exata 
Em que o silêncio 
Te levou embora. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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