Mas guardei demais.
E agora, são cacos dentro do peito
Que me cortam toda vez
Que tento esquecer teu nome.
Fiquei calado quando devia ter gritado,
E gritei por dentro quando já era tarde.
Tu te foste leve,
Como quem desaprende de repente
A ser abrigo.
E eu fiquei aqui,
Com as palavras que não disse,
Morrendo de sede ao lado do poço
Onde um dia bebi teu olhar.
Há noites em que quase te escrevo,
Mas me falta coragem,
Me sobra ausência.
E o que eu queria dizer
Já não alcança mais teu coração,
Porque não é mais teu,
Nem meu,
Nem de ninguém.
É só ruína.
Ruína do que poderia ter sido
Se eu tivesse falado
Na hora exata
Em que o silêncio
Te levou embora.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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