sábado, 6 de junho de 2026

Canto da Terra das Trevas e do amanhecer

Eu canto a terra das trevas, e não a amaldiçoo, 
Pois também ela pertence ao vasto corpo do mundo; 
Canto os vales escuros, as ruas esquecidas, os rostos anônimos, 
Canto os chacinados pelos anjos caídos da modernidade, 
E os recebo em meu abraço como irmãos e irmãs da mesma jornada. 

Eu os vejo! 
Vejo o trabalhador que retorna em silêncio ao cair da tarde, 
A mulher que carrega nos olhos o peso de gerações inteiras, 
O jovem que procura um significado entre ruínas de promessas, 
E em cada um deles reconheço uma centelha da eternidade. 

Ó modernidade, com tuas máquinas velozes e teus templos de vidro! 
Não és apenas glória, nem apenas ruína; 
Em teu ventre convivem a invenção e o esquecimento, 
A esperança que constrói pontes e a ambição que ergue muros, 
E eu canto ambas, porque ambas habitam a condição humana. 

Quem poderá medir a força daqueles que sobrevivem à noite? 
Quem contará os sonhos soterrados sob o peso dos séculos? 
Eu os celebro! Eu os convoco! 
Que se levantem os invisíveis, os humilhados, os esquecidos, 
Pois sua existência é um poema escrito na carne do tempo. 

E quando o amanhecer abrir suas portas douradas sobre a terra, 
Não será apenas o triunfo da luz sobre a sombra; 
Será o encontro de todas as vozes dispersas no grande coro da vida, 
E eu caminharei entre elas, cantando o homem, a mulher, a estrada e o horizonte, 
Cantando o universo inteiro que continua a nascer dentro de nós. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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