domingo, 7 de junho de 2026

A moldura da saudade

A saudade não é uma ferida aberta, 
Mas a marca serena de uma passagem. 
Ela nos recorda que tudo caminha, 
Que nada permanece sob as mesmas formas, 
E que o tempo cumpre sua natureza. 

Quem esteve conosco segue seu caminho. 
Nós seguimos o nosso. 
Assim é a ordem das coisas. 
Resistir a ela produz inquietação; 
Compreendê-la produz clareza. 

Ainda assim, a memória conserva imagens. 
Não para nos prender ao passado, 
Mas para testemunhar o que foi vivido. 
Cada lembrança ocupa seu lugar, 
Como uma página já escrita. 

A saudade é a moldura em que o retrato permanece. 
Não mais para ser possuído, 
Nem para exigir o retorno do que passou. 
Apenas para recordar que houve beleza 
Naquilo que o tempo levou consigo. 

Por isso olho para trás sem tristeza excessiva. 
Agradeço o encontro e aceito a distância. 
O que foi amado continua tendo valor. 
O que partiu continua seguindo seu curso. 
E eu continuo seguindo o meu. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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