Mas a marca serena de uma passagem.
Ela nos recorda que tudo caminha,
Que nada permanece sob as mesmas formas,
E que o tempo cumpre sua natureza.
Quem esteve conosco segue seu caminho.
Nós seguimos o nosso.
Assim é a ordem das coisas.
Resistir a ela produz inquietação;
Compreendê-la produz clareza.
Ainda assim, a memória conserva imagens.
Não para nos prender ao passado,
Mas para testemunhar o que foi vivido.
Cada lembrança ocupa seu lugar,
Como uma página já escrita.
A saudade é a moldura em que o retrato permanece.
Não mais para ser possuído,
Nem para exigir o retorno do que passou.
Apenas para recordar que houve beleza
Naquilo que o tempo levou consigo.
Por isso olho para trás sem tristeza excessiva.
Agradeço o encontro e aceito a distância.
O que foi amado continua tendo valor.
O que partiu continua seguindo seu curso.
E eu continuo seguindo o meu.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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