quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Poemas que não quero dividir

 Escrevo poemas sombrios 
Que não quero entregar a ninguém, 
Porque há palavras que sangram 
Quando encontram olhos curiosos, 
E há dores que preferem o silêncio. 
 
Escrevo aquilo que preciso escrever, 
Não aquilo que gostaria de sentir, 
Como quem abre uma janela 
Num quarto escuro e abafado, 
Apenas para deixar a noite entrar. 
 
Tem versos que escondem meus medos, 
Outros guardam desejos que nego, 
E alguns carregam pensamentos 
Que jamais teria coragem de dizer 
Se alguém estivesse me ouvindo. 
 
Acredito que o papel seja meu confidente, 
Aquele que não pergunta, não julga, 
Que recebe minhas sombras 
Sem exigir que eu explique 
Por que elas existem. 
 
Depois fecho o caderno devagar, 
Como quem sepulta uma parte de si, 
E volto ao mundo com um sorriso, 
Enquanto dentro de mim permanecem 
Os poemas que ninguém precisa ler. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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