sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Porque escrevo

 Escrever para mim 
É como respirar dentro da escuridão, 
Um ato instintivo, quase desesperado. 
Não é escolha, é sobrevivência. 
O ar pesa, e só as palavras sabem abri-lo. 
Há noites em que o silêncio me devora. 
A mente se torna um quarto trancado, 
E cada pensamento é um espelho que não reflete. 
Então escrevo, e a respiração volta a existir, 
Fria, cansada, mas viva. 
 
As palavras são meus pulmões secretos. 
Nelas deposito o medo, o cansaço, 
As vozes que o mundo não escuta. 
Cada frase é um suspiro arrancado da sombra, 
Um modo de não me perder completamente. 
 
Não escrevo por prazer. 
Escrevo porque há algo em mim 
Que apodrece se não for dito. 
As letras me servem de ar e de exílio, 
De fuga e de ferida. 
Quando escrevo, não busco beleza, 
Busco respirar. 
O ar da consciência, 
O ar que me separa da morte silenciosa 
De quem não ousa nomear o próprio vazio. 
 
Escrever é respirar sob a terra. 
É aprender a transformar a dor em oxigênio. 
É continuar existindo mesmo quando já não há luz, 
Apenas o som de uma respiração feita de palavras. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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