segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O entardecer de Cáceres

 Eu canto a ti, Cáceres, cidade de horizontes largos, 
Terra onde o sol não se despede sem antes abraçar o rio, 
Onde o Paraguai carrega nas águas a memória dos homens, 
E cada onda parece anunciar que a vida continua! 
Eu canto tuas ruas, tuas árvores, tuas casas antigas, 
Teus homens simples, teus sonhos imensos, 
E essa beleza que não pede licença para existir. 
 
Oh, Rio Paraguai! Eu te vejo e me reconheço em tuas águas. 
Quantas histórias atravessaram teu leito? 
Quantos pescadores entregaram seus pensamentos à correnteza? 
Quantos apaixonados contemplaram o céu procurando respostas? 
Tu és caminho, espelho, testemunha e eternidade. 
E quando o sol mergulha lentamente em teu horizonte, 
Parece que o próprio universo 
Se inclina para admirar tua grandeza. 
 
Eu sou também esse entardecer! 
Sou a poeira das estradas, o canto dos pássaros, 
A lembrança dos que partiram e a esperança dos que chegaram. 
Sou o menino que descobriu o mundo olhando o horizonte, 
O homem que aprendeu a conversar com as próprias lembranças, 
O poeta que encontra um universo numa tarde qualquer. 
Não me basta olhar a paisagem: quero fazer parte dela! 
 
E que ninguém diga 
Que o dia termina quando o sol desaparece, 
Pois há uma claridade que não pertence aos olhos, 
Uma chama que permanece acesa dentro dos homens. 
A noite chega, sim, mas não leva consigo a poesia. 
Ela a espalha pelas praças, pelas casas, pelas águas, 
E faz das estrelas pequenas testemunhas da nossa existência. 
 
Cáceres, eu te canto porque és maior que minhas palavras! 
És passado que respira, presente que floresce, 
Futuro que nos chama. 
És o abraço da terra, a liberdade do rio, 
A imensidão do Pantanal. 
E quando já não houver sol sobre tuas águas, 
Quando a última luz se recolher atrás das distâncias, 
Ainda haverá um poeta caminhando dentro da noite, 
Cantando a vida, celebrando o mundo e agradecendo por existir! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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