Terra onde o sol não se despede sem antes abraçar o rio,
Onde o Paraguai carrega nas águas a memória dos homens,
E cada onda parece anunciar que a vida continua!
Eu canto tuas ruas, tuas árvores, tuas casas antigas,
Teus homens simples, teus sonhos imensos,
E essa beleza que não pede licença para existir.
Oh, Rio Paraguai! Eu te vejo e me reconheço em tuas águas.
Quantas histórias atravessaram teu leito?
Quantos pescadores entregaram seus pensamentos à correnteza?
Quantos apaixonados contemplaram o céu procurando respostas?
Tu és caminho, espelho, testemunha e eternidade.
E quando o sol mergulha lentamente em teu horizonte,
Parece que o próprio universo
Se inclina para admirar tua grandeza.
Eu sou também esse entardecer!
Sou a poeira das estradas, o canto dos pássaros,
A lembrança dos que partiram e a esperança dos que chegaram.
Sou o menino que descobriu o mundo olhando o horizonte,
O homem que aprendeu a conversar com as próprias lembranças,
O poeta que encontra um universo numa tarde qualquer.
Não me basta olhar a paisagem: quero fazer parte dela!
E que ninguém diga
Que o dia termina quando o sol desaparece,
Pois há uma claridade que não pertence aos olhos,
Uma chama que permanece acesa dentro dos homens.
A noite chega, sim, mas não leva consigo a poesia.
Ela a espalha pelas praças, pelas casas, pelas águas,
E faz das estrelas pequenas testemunhas da nossa existência.
Cáceres, eu te canto porque és maior que minhas palavras!
És passado que respira, presente que floresce,
Futuro que nos chama.
És o abraço da terra, a liberdade do rio,
A imensidão do Pantanal.
E quando já não houver sol sobre tuas águas,
Quando a última luz se recolher atrás das distâncias,
Ainda haverá um poeta caminhando dentro da noite,
Cantando a vida, celebrando o mundo e agradecendo por existir!
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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