segunda-feira, 2 de novembro de 2026

No frêmito sutil do esquecimento

 É preciso que a saudade desenhe 
Teu perfil nas paredes da memória, 
E que o tempo, em sua lenta trajetória, 
Nem por um breve instante te desdenhe. 
 
Que o vento antigo em teus cabelos venha 
Mover a tarde vaga e transitória, 
Como quem folheasse uma história 
Que o coração, sozinho, ainda sustenha. 
 
Há gestos teus que o esquecimento ignora, 
Pois vivem mansamente no pensamento 
Como uma luz que o próprio escuro aflora. 
 
Então permaneço, em doce tormento. 
Te revivendo em cada lenta hora, 
No frêmito sutil do esquecimento. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário