Teu perfil nas paredes da memória,
E que o tempo, em sua lenta trajetória,
Nem por um breve instante te desdenhe.
Que o vento antigo em teus cabelos venha
Mover a tarde vaga e transitória,
Como quem folheasse uma história
Que o coração, sozinho, ainda sustenha.
Há gestos teus que o esquecimento ignora,
Pois vivem mansamente no pensamento
Como uma luz que o próprio escuro aflora.
Então permaneço, em doce tormento.
Te revivendo em cada lenta hora,
No frêmito sutil do esquecimento.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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