Feito chama que o olhar acende e guia;
Na curva do teu gesto, a noite canta,
E em teu silêncio arde a fantasia.
Há nos teus olhos febre que me encanta,
Um caos sereno em doce rebeldia;
Loucura que seduz, que não se espanta,
E em mim desperta a mesma ousadia.
Eu sei do risco oculto no teu riso,
Do abismo belo que me chama e quer,
A queda suave em teu estranho aviso.
Mas sigo, porque ao te ver, mulher,
Prefiro o erro intenso e impreciso
A nunca me perder no que tu és.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

