quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Te vejo

 Te vejo, e o desejo se levanta, 
Feito chama que o olhar acende e guia; 
Na curva do teu gesto, a noite canta, 
E em teu silêncio arde a fantasia. 
 
Há nos teus olhos febre que me encanta, 
Um caos sereno em doce rebeldia; 
Loucura que seduz, que não se espanta, 
E em mim desperta a mesma ousadia. 
 
Eu sei do risco oculto no teu riso, 
Do abismo belo que me chama e quer, 
A queda suave em teu estranho aviso. 
 
Mas sigo, porque ao te ver, mulher, 
Prefiro o erro intenso e impreciso 
A nunca me perder no que tu és. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Quando me olhas

Os teus olhos falam antes do som, 
Dizem o que o silêncio guarda, 
Revelam o que a boca teme. 
 
Neles, o tempo se curva, 
Há memórias que ainda respiram, 
Há segredos que ardem devagar. 
 
Quando me olhas, o mundo se desfaz 
Em um instante de verdade sem nome.  
Nenhuma palavra alcança 
O que o teu olhar confessa. 
 
Há universos inteiros 
Na distância entre um piscar e outro, 
E é lá, nesse breve abismo, 
Que eu aprendo o idioma do teu silêncio. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense