Quem sabe apenas um intervalo
Entre o desejo e o silêncio.
Um nome que o vento aprende e esquece.
Um corpo cansado de caber na própria pele
E uma alma insistente em transbordar.
Sou um poeta, e isso já é uma forma de pobreza.
Não de moedas, mas de certezas.
Carrego versos no lugar de respostas,
E sonhos onde o mundo exige concreto.
Vivo do que não se toca,
E amo aquilo que não se explica.
Pobre sonhador, sim,
Porque sonhar é arriscar-se à queda constante,
É construir palácios onde só há chão duro,
É acreditar que o impossível, às vezes, cochicha.
E então surge ela,
A mulher mais linda do mundo,
Não apenas nos olhos,
Mas naquilo que ela desperta.
E eu me pergunto:
Quem sou eu para merecê-la?
Talvez ninguém.
E talvez seja exatamente isso.
Porque o amor não se negocia com méritos,
Não se pesa em posses,
Não se mede pela grandeza de quem ama.
O amor, quando vem,
Não pergunta quem você é,
Apenas entra,
Como luz por uma fresta esquecida.
Quem sabe, no fim,
Ser poeta seja a única riqueza possível.
Ter dentro de si um universo inteiro
E ainda assim oferecer tudo
A um único olhar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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