sábado, 31 de outubro de 2026

O banquete da lavagem cerebral

 Não se sacia a fome da poesia 
Com o nome estampado no prato, 
Nem com discursos servidos quentes 
Àqueles que esqueceram de pensar. 
Há mentes que devoram ilusões 
E arrotam verdades emprestadas, 
Sem jamais conhecer o sabor da liberdade. 
 
Na mesa dos donos da verdade, 
A lavagem cerebral é servida em ouro, 
Temperada com promessas e mentiras, 
Enquanto a consciência passa fome. 
E o povo, distraído com o banquete, 
Aplaude quem lhe rouba o pensamento, 
Sem perceber que a prisão também alimenta. 
 
Mas o poeta tem fome de infinito, 
Não se ajoelha diante de ideias prontas, 
Nem troca sua voz por migalhas de aplausos. 
Prefere o pão duro da lucidez 
Ao banquete farto da ignorância. 
Pois quem aprende a questionar o alimento 
Jamais será escravo de quem lhe serve. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário