Não houve música,
Não houve chuva cinematográfica,
Nem um discurso que merecesse lembrança.
Só uma porta fechando
E o barulho ridículo de uma xícara sobre a pia.
A saudade é uma criatura estranha.
Não chega gritando.
Liga uma música imaginária,
Senta-se na cadeira da cozinha
E espera que você diga alguma coisa.
Mas eu não digo.
Aprendi que certas derrotas
Não precisam de revanche.
Algumas pessoas entram na vida
Apenas para ensinar
Que o amor também sabe sair.
De vez em quando o rosto dela aparece
Numa esquina da memória.
Eu olho, dou um leve sorriso,
E continuo andando.
Porque o mundo não diminuiu a velocidade
Para lamentar ninguém.
E ele pode estar certo.
Há uma paz discreta
Em aceitar que certas sombras
Não querem assustar.
Elas apenas caminham conosco,
Como velhos companheiros
Que conhecem nossos silêncios
Melhor do que nossos nomes.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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