Orgulhosas da mentira que lhes cobre os olhos cansados.
Andam pelas ruas como folhas mortas no vendaval do mundo,
Sem raízes, sem memória, sem coragem de permanecer.
Falam alto para esconder o vazio que carregam no peito,
E chamam de liberdade a prisão construída pelo medo.
Às vezes sinto que sou estrangeiro entre esses rostos sem verdade.
Eu já ouvi o riso daqueles que zombam da lucidez,
Como se pensar fosse um pecado imperdoável nestes tempos.
Preferem a fumaça confortável das ilusões repetidas
Ao peso difícil e solitário de enxergar além das máscaras.
Vejo-os venderem a alma por aplausos passageiros,
Ajoelhados diante do vento que muda conforme a conveniência,
Enquanto eu recolho no silêncio os restos da dignidade perdida.
Eu caminho contra a corrente dessas sombras satisfeitas,
Mesmo sabendo que a verdade também fere quem a abraça.
Carrego nos olhos o cansaço de quem ainda procura sentido
Num mundo que celebra o ruído e crucifica a consciência.
Mas não quero ser escravo das mentiras que anestesiam a alma,
Nem deixar que o vento decida o rumo dos meus passos.
Prefiro a solidão da verdade ao conforto podre da cegueira.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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