domingo, 10 de maio de 2026

Nesta noite fria

Nesta noite fria, escuto o vento 
Arranhando devagar minha janela, 
Como se trouxesse tua voz cansada 
Das distâncias que o tempo construiu. 
E eu permaneço aqui, acordado. 

Acendo lembranças como quem acende 
Uma vela pequena contra o inverno. 
Teu nome ainda aquece meus silêncios, 
Mesmo perdido entre anos e ausências. 
Há amores que nunca vão embora. 

Às vezes fecho os olhos e imagino 
Teus passos vindo pela rua vazia, 
O casaco escuro, o olhar tranquilo, 
E minhas mãos procurando as tuas 
Como quem procura abrigo na neve. 

Minha imaginação voa sem descanso, 
Feito pássaro ferido no inverno. 
Ela atravessa noites e estações, 
Retorna aos lugares onde fomos felizes 
E pousa cansada dentro do meu peito. 

Quando a madrugada se torna mais fria, 
Eu converso baixinho com tua lembrança. 
Não peço retorno, nem milagres. 
Só deixo meu coração te visitar 
Antes que o amanhecer me esqueça. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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