Arranhando devagar minha janela,
Como se trouxesse tua voz cansada
Das distâncias que o tempo construiu.
E eu permaneço aqui, acordado.
Acendo lembranças como quem acende
Uma vela pequena contra o inverno.
Teu nome ainda aquece meus silêncios,
Mesmo perdido entre anos e ausências.
Há amores que nunca vão embora.
Às vezes fecho os olhos e imagino
Teus passos vindo pela rua vazia,
O casaco escuro, o olhar tranquilo,
E minhas mãos procurando as tuas
Como quem procura abrigo na neve.
Minha imaginação voa sem descanso,
Feito pássaro ferido no inverno.
Ela atravessa noites e estações,
Retorna aos lugares onde fomos felizes
E pousa cansada dentro do meu peito.
Quando a madrugada se torna mais fria,
Eu converso baixinho com tua lembrança.
Não peço retorno, nem milagres.
Só deixo meu coração te visitar
Antes que o amanhecer me esqueça.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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