E contempla o horizonte antes de seguir viagem;
Celebro aquele que escuta o rumor dos ventos,
Que consulta o coração e a razão,
E faz de sua escolha uma aliança com o futuro.
Ó caminhante! A vida abre diante de ti mil veredas,
E cada uma delas leva sementes invisíveis.
Nenhum passo é pequeno demais para o tempo,
Nenhum gesto se perde completamente no mundo;
Tudo retorna como fruto, sombra ou memória.
Eu vi os apressados correndo atrás de miragens,
E vi os prudentes avançando com firmeza e serenidade.
Os primeiros eram folhas entregues à tempestade;
Os outros, árvores profundas, amigas da terra,
Que conheciam o valor do silêncio antes da ação.
Escuta! O amanhã já repousa dentro do presente,
Como a floresta repousa dentro da semente.
A dor que pode ser evitada pede apenas atenção,
E a sabedoria não exige grandeza,
Mas olhos abertos para as consequências do caminho.
Por isso eu canto a reflexão, companheira dos livres;
Canto a mente que não se curva ao impulso passageiro.
Que cada homem e cada mulher sejam arquitetos de seus dias,
Erguendo com cuidado as pontes sobre o desconhecido,
Para que o futuro encontre menos ruínas e mais jardins.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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