quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Companheira dos livres

 Eu celebro a pessoa que para à beira da estrada 
E contempla o horizonte antes de seguir viagem; 
Celebro aquele que escuta o rumor dos ventos, 
Que consulta o coração e a razão, 
E faz de sua escolha uma aliança com o futuro. 
 
Ó caminhante! A vida abre diante de ti mil veredas, 
E cada uma delas leva sementes invisíveis. 
Nenhum passo é pequeno demais para o tempo, 
Nenhum gesto se perde completamente no mundo; 
Tudo retorna como fruto, sombra ou memória. 
 
Eu vi os apressados correndo atrás de miragens, 
E vi os prudentes avançando com firmeza e serenidade. 
Os primeiros eram folhas entregues à tempestade; 
Os outros, árvores profundas, amigas da terra, 
Que conheciam o valor do silêncio antes da ação. 
 
Escuta! O amanhã já repousa dentro do presente, 
Como a floresta repousa dentro da semente. 
A dor que pode ser evitada pede apenas atenção, 
E a sabedoria não exige grandeza, 
Mas olhos abertos para as consequências do caminho. 
 
Por isso eu canto a reflexão, companheira dos livres; 
Canto a mente que não se curva ao impulso passageiro. 
Que cada homem e cada mulher sejam arquitetos de seus dias, 
Erguendo com cuidado as pontes sobre o desconhecido, 
Para que o futuro encontre menos ruínas e mais jardins. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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