terça-feira, 27 de outubro de 2026

Desejo escondido

 Tenho um desejo escondido nos dedos, 
Uma poesia querendo nascer, 
Mas a inspiração adormece em silêncio, 
E a imaginação, sem nada dizer, 
Estende-se em redes de nuvens macias, 
Enquanto o tempo se esquece de correr, 
E eu deixo a vontade adormecer. 
 
As palavras passeiam sem rumo, 
Os pensamentos bocejam no ar, 
Há versos que dormem profundamente, 
Sem pressa de um dia despertar, 
E nessa letargia tão doce e serena, 
Minha alma se entrega ao prazer de sonhar, 
Sem saber se deseja escrever ou descansar. 
 
Pode ser que a poesia não queira trabalho, 
Quem sabe ela só precise de um pouco de paz, 
Um silêncio que embale os sentidos, 
Um instante que nada nos traz, 
Pois até a preguiça tem seus encantos, 
E o verso que hoje não nasce fugaz, 
Pode florescer quando a alma quiser mais. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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