Foi o teu olhar que redesenhou tudo.
Havia nele uma espécie de silêncio luminoso,
Como se o tempo, cansado de correr,
Tivesse decidido repousar nos teus olhos
Só para ser visto por mim.
E eu, que atravessava os dias
Como quem não espera nada,
Me perdi ali,
Não como quem se confunde,
Mas como quem finalmente encontra um lugar.
Teu olhar não me tocou,
Ele me leu.
Folheou minhas ausências,
Subentendeu meus medos,
E ainda assim... ficou.
Há uma beleza que se vê,
E outra que acontece na imaginação.
A tua não apenas existia,
Ela me acontecia por dentro,
Como um verso que se escreve sozinho
Sem pedir permissão ao coração.
Desde então,
Carrego nos olhos a memória do teu olhar,
Como quem guarda uma chama
Sabendo que foi nela
Que aprendeu a se aquecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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