segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Algumas flores abrem ao amanhecer

 Há coisas que vivem à margem da pressa, 
Escondidas entre um passo e outro do caminho; 
Um pássaro pousado sobre o fio, 
A dança da poeira na luz da janela, 
O tempo respirando baixinho. 
 
Quando desacelero, o mundo se alonga, 
Como um rio que abandona as corredeiras; 
Vejo histórias nas rugas das pedras, 
Ouço segredos nas folhas das árvores, 
E encontro sentido nas coisas inteiras. 
 
A correria recolhe apenas distâncias, 
Mas a calma recolhe profundidades; 
Há um universo em cada silêncio, 
Há uma eternidade em cada instante, 
Há sabedoria nas simplicidades. 
 
Nem toda beleza pede testemunhas, 
Nem toda verdade deseja ser anunciada; 
Algumas flores abrem ao amanhecer, 
Alguns afetos crescem sem ruído, 
Alguma luz prefere a estrada calada. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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