Escondidas entre um passo e outro do caminho;
Um pássaro pousado sobre o fio,
A dança da poeira na luz da janela,
O tempo respirando baixinho.
Quando desacelero, o mundo se alonga,
Como um rio que abandona as corredeiras;
Vejo histórias nas rugas das pedras,
Ouço segredos nas folhas das árvores,
E encontro sentido nas coisas inteiras.
A correria recolhe apenas distâncias,
Mas a calma recolhe profundidades;
Há um universo em cada silêncio,
Há uma eternidade em cada instante,
Há sabedoria nas simplicidades.
Nem toda beleza pede testemunhas,
Nem toda verdade deseja ser anunciada;
Algumas flores abrem ao amanhecer,
Alguns afetos crescem sem ruído,
Alguma luz prefere a estrada calada.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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