Sei calar quando o mundo exige ruído
E falar quando o silêncio
Começa a apodrecer por dentro.
Sei partir sem olhar para trás
E ficar mesmo quando tudo em mim pede fuga.
Sei ser forte,
Essa força áspera
De quem aprende a suportar o peso dos dias
Como quem carrega sacos de areia contra a enchente.
Sei endurecer o coração
Até que ele pareça uma pedra que não sente frio.
Sei esquecer rostos,
Nomes, promessas ditas na pressa,
Lugares onde jurei permanecer
E nunca mais voltei.
Sei transformar saudade em hábito
E ausência em rotina.
Mas não sei deixar de amar você.
Não sei ensinar ao meu corpo
Que o seu nome já não é abrigo.
Não sei convencer a memória
De que algumas presenças não moram mais no agora.
Não sei arrancar esse amor
Sem sangrar tudo o que ainda me sustenta.
Posso aprender quase tudo:
A ir embora,
A sobreviver,
A seguir adiante como quem atravessa um deserto
Com os olhos fechados.
Mas deixar de amar você
Não é uma habilidade.
É uma amputação.
E disso, confesso,
Ainda não sei viver.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário