quarta-feira, 8 de julho de 2026

À margem do silêncio

 Sentei-me ao lado da água 
Para descobrir se o rio sabia 
O que os homens insistem em esquecer. 
Ele não respondeu; 
Continuou seguindo seu caminho. 
 
As árvores não disputam grandezas. 
Erguem-se apenas porque a luz as chama. 
Talvez a verdadeira liberdade 
Seja crescer em silêncio, 
Sem pedir permissão ao mundo. 
 
Vi um pássaro abandonar o galho 
Sem consultar o vento. 
Compreendi que a confiança 
É uma forma discreta de sabedoria 
Que nenhuma cidade ensina. 
 
Quanto menos possuo, 
Mais espaço encontro dentro de mim. 
A terra não exige aplausos 
Para oferecer seus frutos, 
Nem o céu precisa de testemunhas para amanhecer. 
 
Regresso diferente. 
Não porque encontrei respostas, 
Mas porque deixei de perseguir as perguntas 
Que me afastavam da simplicidade 
De apenas existir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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