quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Medo de atravessar o improvável

 
Existe um rumor escondido nas horas, 
Uma pequena rachadura no destino 
Por onde o impossível respira devagar. 
Quase ninguém percebe sua presença 
Porque todos olham apenas para o chão. 
 
Os sinais passam como pássaros baixos 
Entre os postes cansados da cidade. 
Uma palavra acesa numa esquina, 
Um silêncio diferente numa despedida, 
Um vento mudando o rumo da tarde. 
 
Há momentos que chegam sem anúncio, 
Vestidos de coisas absolutamente comuns. 
A mão hesita antes de aceitar o toque, 
O coração demora a reconhecer o instante, 
E o tempo quase fecha a porta outra vez. 
 
Quantas vidas ficaram inacabadas 
Por medo de atravessar o improvável? 
Muita gente chama de acaso 
Aquilo que já era destino insistindo 
Mesmo diante da dúvida humana. 
 
Ainda assim o impossível retorna. 
Ele sempre encontra outra fresta. 
Permanece esperando nos detalhes, 
Até que alguém finalmente compreenda 
Que certos milagres exigem coragem. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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