Existe um rumor escondido nas horas,
Uma pequena rachadura no destino
Por onde o impossível respira devagar.
Quase ninguém percebe sua presença
Porque todos olham apenas para o chão.
Os sinais passam como pássaros baixos
Entre os postes cansados da cidade.
Uma palavra acesa numa esquina,
Um silêncio diferente numa despedida,
Um vento mudando o rumo da tarde.
Há momentos que chegam sem anúncio,
Vestidos de coisas absolutamente comuns.
A mão hesita antes de aceitar o toque,
O coração demora a reconhecer o instante,
E o tempo quase fecha a porta outra vez.
Quantas vidas ficaram inacabadas
Por medo de atravessar o improvável?
Muita gente chama de acaso
Aquilo que já era destino insistindo
Mesmo diante da dúvida humana.
Ainda assim o impossível retorna.
Ele sempre encontra outra fresta.
Permanece esperando nos detalhes,
Até que alguém finalmente compreenda
Que certos milagres exigem coragem.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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