O horizonte era apenas neblina.
O tempo escondia suas respostas,
E eu caminhava entre perguntas,
Confiando apenas no coração.
Tudo foi sentido intensamente.
A alegria breve, a dor demorada,
Os abraços que aqueceram a alma,
As despedidas que feriram o peito,
E os sonhos que insistiram em permanecer.
Cada queda deixou uma semente,
Cada silêncio guardou uma lição.
O vento levou antigas certezas,
Mas trouxe novas possibilidades,
Que floresceram sem pedir licença.
Hoje compreendo que viver
É aceitar o mistério dos caminhos.
Nem toda lágrima anuncia tristeza,
Nem toda vitória nasce do aplauso,
Pois a alma amadurece no invisível.
Agora, olhando a estrada percorrida,
Já não procuro explicar o impossível.
Basta-me saber que fui verdadeiro,
Que amei, perdi, recomecei,
E que quase nada foi em vão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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