quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Quase nada foi em vão

 Nada fez sentido no começo, 
O horizonte era apenas neblina. 
O tempo escondia suas respostas, 
E eu caminhava entre perguntas, 
Confiando apenas no coração. 
 
Tudo foi sentido intensamente. 
A alegria breve, a dor demorada, 
Os abraços que aqueceram a alma, 
As despedidas que feriram o peito, 
E os sonhos que insistiram em permanecer. 
 
Cada queda deixou uma semente, 
Cada silêncio guardou uma lição. 
O vento levou antigas certezas, 
Mas trouxe novas possibilidades, 
Que floresceram sem pedir licença. 
 
Hoje compreendo que viver 
É aceitar o mistério dos caminhos. 
Nem toda lágrima anuncia tristeza, 
Nem toda vitória nasce do aplauso, 
Pois a alma amadurece no invisível. 
 
Agora, olhando a estrada percorrida, 
Já não procuro explicar o impossível. 
Basta-me saber que fui verdadeiro, 
Que amei, perdi, recomecei, 
E que quase nada foi em vão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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