Nem toda linha foi escrita para guiar,
Algumas foram traçadas para conter.
Leia o que não está dito,
O silêncio entre as frases,
A intenção escondida no óbvio.
Há uma pedagogia no costume,
Um adestramento suave
Naquilo que chamam de “normal”.
Questione o gesto automático,
A verdade repetida,
O conforto das certezas herdadas.
Nem toda ordem protege.
Nem toda regra organiza.
Nem toda tradição ilumina.
Por trás do consenso, às vezes, mora o medo.
Por trás da harmonia, o controle.
Por trás do “sempre foi assim”, a ausência de escolha.
Desconfie do caminho fácil,
Da resposta pronta,
Da paz que exige silêncio.
Pensar é um pequeno ato de ruptura.
Ver é uma forma de desobediência.
Compreender, quase sempre, é perigoso.
Quebre o roteiro.
A realidade, quando lida com atenção,
Raramente cabe na versão que nos entregaram.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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