Uma brisa antiga sopra por sua alma,
E as palavras nascem como ondas
Que não pertencem ao mar,
Mas ao mistério que o move.
As Musas não falam em voz alta.
Sussurram no instante em que o silêncio se inclina.
É preciso morrer um pouco de si mesmo
Para ouvi-las viver dentro do verso.
Homero abriu os olhos e viu o mundo em canto;
Hesíodo ouviu nas colinas
A respiração das nove irmãs.
Desde então, todo poeta
É apenas um eco do divino desejo de dizer.
A inspiração é um véu que toca o rosto da mente.
O poeta sente, e não entende.
As Musas passam, e o poema permanece,
Como um perfume esquecido no ar.
Ser poeta é lembrar-se do que nunca se viveu.
As Musas entregam memórias que não são nossas,
Para que o homem se reconheça
No espelho da eternidade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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