terça-feira, 12 de maio de 2026

O poeta sente

 O poeta não escreve, é escrito. 
Uma brisa antiga sopra por sua alma, 
E as palavras nascem como ondas 
Que não pertencem ao mar, 
Mas ao mistério que o move. 
 
As Musas não falam em voz alta. 
Sussurram no instante em que o silêncio se inclina. 
É preciso morrer um pouco de si mesmo 
Para ouvi-las viver dentro do verso. 
 
Homero abriu os olhos e viu o mundo em canto; 
Hesíodo ouviu nas colinas 
A respiração das nove irmãs. 
Desde então, todo poeta 
É apenas um eco do divino desejo de dizer. 
 
A inspiração é um véu que toca o rosto da mente. 
O poeta sente, e não entende. 
As Musas passam, e o poema permanece, 
Como um perfume esquecido no ar. 
 
Ser poeta é lembrar-se do que nunca se viveu. 
As Musas entregam memórias que não são nossas, 
Para que o homem se reconheça 
No espelho da eternidade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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