sexta-feira, 10 de julho de 2026

Que cada um assuma o leme

Há quem espere a voz de alguém 
Para dizer por onde andar; 
Como se o vento do destino 
Pudesse a vida governar. 

Olham caminhos já traçados, 
Receiam o primeiro passo; 
Vivem contando com as mãos 
Que os livrem de qualquer cansaço. 

Mas o tempo, sábio e sereno, 
Não faz escolhas por ninguém; 
Apenas mostra, dia após dia, 
Quem foi além, quem não foi além. 

Quem teme o peso das decisões 
Também renuncia ao florescer; 
Pois cada escolha não vivida 
É um pedaço do próprio ser. 

Conselhos são faróis na noite, 
Mas não substituem o caminhar; 
Nenhuma estrela cruza o céu 
Por quem se recusa a navegar. 

A vida chama, em voz discreta, 
Os que se atrevem a tentar; 
Não exige passos perfeitos, 
Somente a coragem de começar. 

Pois quem vive preso à vontade 
Daqueles que escolhem por si, 
Descobre, tarde, que seus sonhos 
Nunca aprenderam a existir. 

Que cada um assuma o leme 
Do barco entregue em suas mãos; 
Porque a liberdade floresce 
Nas próprias determinações. 

E, quando a tarde enfim chegar, 
Sem culpas para repartir, 
Haverá paz em quem soube 
A própria história construir. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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