Para dizer por onde andar;
Como se o vento do destino
Pudesse a vida governar.
Olham caminhos já traçados,
Receiam o primeiro passo;
Vivem contando com as mãos
Que os livrem de qualquer cansaço.
Mas o tempo, sábio e sereno,
Não faz escolhas por ninguém;
Apenas mostra, dia após dia,
Quem foi além, quem não foi além.
Quem teme o peso das decisões
Também renuncia ao florescer;
Pois cada escolha não vivida
É um pedaço do próprio ser.
Conselhos são faróis na noite,
Mas não substituem o caminhar;
Nenhuma estrela cruza o céu
Por quem se recusa a navegar.
A vida chama, em voz discreta,
Os que se atrevem a tentar;
Não exige passos perfeitos,
Somente a coragem de começar.
Pois quem vive preso à vontade
Daqueles que escolhem por si,
Descobre, tarde, que seus sonhos
Nunca aprenderam a existir.
Que cada um assuma o leme
Do barco entregue em suas mãos;
Porque a liberdade floresce
Nas próprias determinações.
E, quando a tarde enfim chegar,
Sem culpas para repartir,
Haverá paz em quem soube
A própria história construir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário