quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

No alvorecer do seu olhar

Me perdi na caminhada 
Meus pés vacilaram ao ver-te tão bela 
Como a luz brilhante do sol 
A sair na manhã de céu aberto. 
Queria caminhar para longe 
Ir em busca de refúgio 
Para minha alma tão carente 
De um amor que não encontrei. 
No alvorecer do seu olhar 
Pude ver um horizonte 
Que me indicava uma esperança 
Em viver um grande amor. 
Como um bálsamo suave 
Minhas feridas foram saradas 
Meus sonhos se refizeram 
Ao ver suas mãos estendidas para mim. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A deusa da minha poesia

O encanto que emana de seus olhos 
A meiguice do seu sorriso 
E a sua alma singela 
É tema da mais linda melodia. 
 
Por seu amor tão puro 
E pela sensibilidade do coração 
Canto a ti essa canção 
Pois tu és a deusa da minha poesia. 
 
Cantar-te-ei o meu sentimento 
O amor que vi em seu olhar 
Que transforma o meu dia a dia 
 
Você é a beleza mais pura 
Que meus olhos já puderam ver 
Um sonho em forma de nostalgia. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Hiroshima

Quem poderia imaginar o terror? 
A maldade humana sem limites 
Quem poderia imaginar que nunca mais veria as flores 
A inocente criança que corria pelo jardim 
Da praça em flores e borboletas? 
O som vindo do céu não é de paz 
A vingança desce como uma guilhotina 
Separando a cabeça da humanidade 
Sangue e cinzas 
Gritos e desesperos de vidas perdidas 
No limbo da Grande Guerra. 
Quem poderá dizer que não havia esperança 
Que era preciso destruir a paz? 
O que é o homem na sua fúria cega 
Na sua maldade cruel? 
O sonho desfeito na última manhã da jovem apaixonada 
O último olhar da criança para a pipa a voar 
Tudo dissipado pela explosão ensurdecedora 
E derretido pelo calor atômico 
Da destruição em massa. 
Memórias de uma atrocidade sem justificativa 
De uma ação humana 
Que não pode ser mais repetida. 
Somos humanos que pensam 
Desejamos um mundo melhor em que prevaleça a paz 
Não se pode destruir sonhos inocentes 
Pela loucura da guerra! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Não tenha medo do silêncio

Não tenha medo do silêncio 
O silêncio que te ouve 
Te conduz ao auto-conhecimento 
Andar devagar 
Para apreciar o caminho. 
Não tenha medo do silêncio 
Pare de falar e ouça 
Quando os nervos estiverem à flor da pele 
Evitarás muitos males 
Na sua vida 
Ouça sua voz interior 
E viva uma vida com mais alegria! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

De tudo ficou um pouco

De tudo ficou um pouco. 
Ficou a saudade de tempos alegres 
De sorrisos verdadeiros 
De felicidade. 
Ficou a lembrança das tardes quentes 
Das conversas intermináveis 
Dos sonhos compartilhados. 
Ficou a tristeza de olhos chorosos 
De desejos frustrados 
De alma sequiosa. 
Ficou a ternura de momentos raros 
De quando olhávamos as estrelas 
E contemplávamos a imensidão. 
Ficou a verdade do amor 
De todas as paixões vividas 
De todas não realizadas. 
De tudo ficou um pouco 
E, esse pouco é o tudo 
Que não se pode esquecer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Essa religião

Essa religião 
Que tira a paz e a razão 
Põe no inferno a solidão 
E arranca sem dó o coração... 
 
Por algum motivo banal 
Faz pensar naquele mal 
No olhar tão fatal 
Que ela deixou no final... 
 
Uma religião que fez renascer 
Nos olhos meigos florescer 
A paixão que vi nascer 
E sem dó nenhuma fez morrer... 
 
Chora agora sozinho 
Lamenta o erro do caminho 
Não viu os pássaros no ninho 
E dela não teve carinho... 
 
Tudo isso pareceu ser o fim 
De uma amor tão forte assim 
Que estava disposto a dizer sim 
Mas, tudo acabou, enfim... 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Mal acariciada pelo destino

Lamentas o tempo desperdiçado 
A vida que se esvai pelos dedos 
E a tristeza do que poderia ter feito 
Diferença neste mundo. 
Lamento de uma vida que percebe 
Ter sido mal acariciada pelo destino. 
Quantas coisas poderia ter sido diferente? 
Quanto tempo jogado fora 
Com coisas supérfluas? 
Às vezes gastamos tão mal o nosso tempo 
Que resta-nos só o sofrer 
A angústia 
O desejo da morte 
Quando ela se torna bem-vinda ao chegar. 
Às vezes costumamos pedir mais tempo 
Alguns anos a mais de vida 
Para quê? 
Não aproveitamos o tempo que temos 
E tudo se vai como sempre 
As rotinas, o ócio e as imprudências 
E o tempo se foi para sempre. 
Talvez seja o tempo da reflexão 
De uma mudança de atitude 
Em relação a vida que estamos vivendo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Se eu soubesse que a dor fosse tão terrível assim


Ah! Se eu soubesse! 
Se soubesse que ao partir sentiria sua falta 
Que não veria mais o seu sorriso 
Se soubesse tudo isso 
Eu não teria partido. 
 
Se eu soubesse que a dor fosse tão terrível assim 
Eu não teria me despedido 
Não teria caminhado 
Rumo a minha solidão 
Nem teria arriscado perder você para sempre. 
 
Se soubesse que meus dias seriam solitários 
Que não saberia como viver sem o seu sorriso 
Sem a sua alegria contagiante 
Que contrastava com minha tristeza 
Eu não teria pensado na despedida. 
 
Ah! Se eu soubesse 
O quanto a solidão é difícil 
O quanto as noites são silenciosas 
E o quanto o frio é cruel comigo 
Eu não teria abraçado o adeus. 
 
Mas, agora tudo parece perdido 
Seus olhos estão distantes dos meus 
Não vejo você nem nos meus sonhos mais 
Só uma dor terrível a dilacerar a minha alma sem piedade. 
 
Ah! Se eu soubesse! 
Entregar-te-ia a minha vida inteira 
Sem pensar duas vezes! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Os teus passos parecem que tem o som da solidão

Eu invento as flores 
Vejo a saudade voando pelo jardim 
E fecho os olhos para não ver as nuvens 
Porque quero esquecer tudo o que ficou para trás. 
Então deito-me na sombra de uma árvore 
Na esperança de poder descansar 
O meu coração ferido pela saudade 
Que um dia vi em seus olhos. 
Não há um silêncio porque ouço passos vindo em minha direção 
Os teus passos parecem que tem o som da solidão 
E permaneço de olhos fechados 
Esperando que sinta os seus lábios tocando os meus. 
Nada acontece e abro os meus olhos 
No horizonte contemplo a imagem tremulante 
Mas é apenas uma miragem 
De um amor que nunca mais poderei sentir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Protestos de um morador de rua eloquente

Você quer tapar os ouvidos para não ouvir os meus brados 
Não sou como você pensa 
Não pode considerar o meu estado como deplorável 
Você não sabe porque estou aqui 
Você não conhece minha vida. 
Eu ouço o barulho das ruas! 
Eu vejo as misérias nas calçadas 
Eu sinto o odor dos becos. 
Não sabes tu o que a vida lhe reserva 
Não conheces o dia futuro 
Nem tens a revelação do que te poderás acontecer. 
Empinas o nariz e te achas o tal 
Que menospreza o teu próximo. 
Dizes-te cristão mas não repartes o teu pão 
E passas de largo 
Não queres enxergar as misérias das ruas. 
Olhas para mim com olhar de desprezo 
Como se não existisse em mim uma alma. 
Sabes a cor do sangue que corres em minhas veias? 
Será diferente do teu? 
Ouça-me! 
Atentes-te ao meu brado 
Ouça o meu protesto. 
Estou na rua por causa das injustiças 
Da corrupção, da ganância 
De governos inescrupulosos. 
Estou na rua. 
Mas, não sou menor do que qualquer outro ser humano. 
Apenas estou na rua. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Porque certas pessoas são cegas em suas paixões

Bem que eu poderia ter dado ouvidos à voz interior 
Que me dizia para ir mais devagar. 
Mas, eu estava cego. 
Meus pensamentos me conduziam apenas na direção daquele olhar. 
Eu já tinha visto outros olhares na minha vida. 
Muitos. 
Mas, nenhum com tanta intensidade como aquele. 
Parecia que havia um mistério. 
E, na verdade, havia mesmo. 
Algo misterioso arrebatou os meus sentidos. 
Logo eu que sempre tinha sido um cético com relação a isso. 
Me perguntava sempre porque certas pessoas 
São cegas em suas paixões por outras pessoas. 
Ignorava o fato de que isso poderia acontecer comigo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A incapacidade monstruosa de se levar algo assim tão a sério

Palavras que se perdem ao vento 
Em noites sombrias e dias tenebrosos 
Ameaças de monstros noturnos que aparecem nos sonhos 
E gárgulas que espreitam silenciosamente do alto das catedrais 
Observam os passos trôpegos de ébrios perdidos pelas ruas 
E nada há que se possa fazer. 
 
O que se pode dizer de tamanha insensatez 
Nos olhos pequenos de crianças indefesas em meio ao tiroteio 
Na madrugada fria de uma noite perdida qualquer 
Que não se pode fazer muita coisa 
Nem mesmo fechar os olhos por causa das barbáries 
Que vejo mesmo estando de olhos abertos. 
 
Nem adianta pedir para que me cale diante de tudo isso 
Não posso fazer o que deseja sem prejudicar os indefesos 
Nem mesmo os ratos dos esgotos estão a salvos de tamanha destruição 
Que pode se ver nas noites escuras da cidade.
 
Eu ando tão devagar que parece não sair do lugar 
Onde o sangue mancha as pedras que cobrem o chão 
Em vielas abandonadas pelas pessoas e animais peçonhentos 
Sanguessugas de uma geração hipócrita e pérfida 
Como os dejetos de um banheiro público. 
 
Por mais que tento bradar contra o sistema 
Existe uma incapacidade monstruosa de se levar algo assim tão a sério 
Que os gritos não se ouvem em ouvidos corrompidos 
E os gestos não podem ser vistos por olhos perfurados de egoísmo 
Dessa geração que roubam os sonhos e destroem as esperanças. 
 
Parece ser o fim de tudo que um dia foi belo 
E nada pode ser feito para mudar a situação avassaladora deste mundo 
Nem mesmo os sorrisos são confiáveis 
E é preciso esconder o rosto de tantos olhares invejosos 
Que espreitam o nosso caminhar sincero. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O poema ainda não está pronto

Pode ser que hoje haja um encontro 
Existe uma esperança para isso 
Aquele olhar sorrateiro 
E o sorriso quase imperceptível 
Que ela deixou escapar quando se ia. 
Talvez hoje o sol encontre o mar 
E quem sabe ela se deixa beijar 
O sonho é real em mim 
E o coração voa além do horizonte distante 
Lembrando a meiguice do olhar misterioso 
Que só pode ser visto uma vez. 
Dizia ela que havia um compromisso 
As borboletas deviam saber 
Porque voaram quando entrou no jardim 
E os pássaros cantaram fora da hora marcada. 
O poema ainda não está pronto 
E a saudade já toma conta de mim 
Para onde vou se não sei mais o caminho 
E nem a forma adequada para esquecer 
O brilho intenso daquele lindo olhar 
Quando se espera tanto 
O coração arde de desespero e medo 
De que tudo não passou de uma ilusão. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Você pode andar livremente entre as flores

Não cabe a mim julgar o que passa em seu coração 
Eu nunca saberia mesmo 
Nem mesmo a dor que sinto em mim eu poderia definir 
Apenas os deuses teria tal poder 
Nas noites de estrelas envoltas pelas nuvens. 
 
Vivo em prisões desde então 
Em correntes fortificadas pelas lágrimas dos inocentes que morreram 
Na caminhada silenciosa do infinito. 
 
Você pode andar livremente entre as flores 
Pode ver as borboletas que voam pelo jardim 
E sentir o aroma das rosas 
Mesmo assim não poderá ver a solidez do coração distante de ti 
Do coração que foi dilacerado pela soberba 
Pela altivez de uma alma que não conseguiu resistir ao sentimento 
E se foi pelo caminho da escuridão. 
 
Sorrisos dissolutos podem ser vistos ao longe 
Nos passos lentos de um peregrino sem direção 
De alguém que buscava apenas um lugar para descansar 
E esquecer as noites perturbadoras que estivera preso 
Sem poder fechar os olhos nem por um minuto. 
 
Mefisto furou-lhe os olhos com longas agulhas 
E sussurrava terrores em seus ouvidos quando queria dormir 
Os pesadelos não cessaram nem mesmo ao meio dia 
Quando o sol crepitava a pino na abóbada celeste 
E dançava alegremente a dança macabra da solidão. 
 
A donzela tentou arrastar-se velozmente entre os arbustos 
Na tentativa vã de esconder-se dos roubadores de almas 
E guardar a sua inocência para dias futuros que havia sonhado 
Mas que não poderia vivê-los 
Sem ouvir os gritos de desesperos dos pequenos insetos 
E dos grandes animais na floresta. 
 
Não poderia me libertar das correntes e dos desejos sombrios 
Que circundavam os meus pensamentos 
E você podia andar livremente entre as flores 
Ouvindo os cânticos das crianças fazendo roda 
E soltando pipas sem parar de olhar para o azul-celeste. 
 
Esconda-me o seu sorriso e siga sua jornada 
Nada mais importa agora 
Que você pode andar livremente entre as flores. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O sonho vê-se de teus olhos

A minha visão tinha sido ofuscada 
Parecia-me que só havia solidão 
Eu nem imaginava você 
Muito menos viver 
O amor que nem em sonho eu desejei. 
O sonho vê-se de teus olhos 
Misteriosos e sedutores 
Como a brisa na manhã que nasce 
Nos sonhos mais límpidos da alma. 
Navego silenciosamente por entre as águas 
Ouço o canto da sereia distante 
Que seduz minha alma sedenta 
Que vê o sentimento 
Através da janela aberta para o horizonte 
Onde as borboletas voam livremente. 
Eu sonhei com você um dia 
Quando menos esperava acontecer 
O brilho intenso deste olhar 
Despertou-me dos sonhos mais secretos 
Que tentava esconder de ti. 
Amar-te-ei para sempre 
Enquanto existir em mim 
O desejo de guardar-te no coração 
Que suspira ao ver o seu lindo olhar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense