Ou pelo menos foi o que disseram.
As pessoas adoram dar títulos
A homens perdidos.
Fica mais fácil ignorar o vazio
Quando ele veste um uniforme.
Passei anos falando de futuro,
Batendo em portas que ninguém queria abrir.
Alguns me chamaram de visionário,
Outros de louco.
No fim, descobri que os dois grupos
Estavam igualmente desorientados.
Agora estou aqui,
Moribundo numa cadeira qualquer,
Olhando a poeira acumular nos cantos.
O novo mundo chegou,
Fez seu barulho, vendeu suas promessas
E continuou andando sem mim.
A verdade é que nada nos pertence.
Nem as ideias. Nem os amores.
Nem mesmo as cicatrizes.
Somos inquilinos atrasados
Num prédio condenado à demolição,
Tentando agir como proprietários.
Daqui a pouco volto ao pó.
Sem trombetas. Sem discursos.
Sem uma multidão para recordar meu nome.
E isso não me parece trágico.
Apenas mais uma noite comum
Neste velho mundo chamado universo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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