Teu olhar repousa sobre mim
Como uma pergunta sem resposta.
No breve encontro dos nossos olhos,
Sinto o peso de existir
E a estranheza de ser visto.
Caminhei entre rostos e dias,
Como quem atravessa corredores vazios.
Mas teu olhar, tão simples e silencioso,
Abriu uma fenda na rotina
Por onde a realidade escapou.
Não sei o que procuras em mim.
Talvez nada. Talvez tudo.
Ainda assim, quando me olhas,
Sou arrancado da distração
E devolvido ao enigma de quem sou.
Tento fugir para as tarefas,
Para os relógios e suas urgências.
Mas teu olhar permanece,
Como uma verdade incômoda
Que não aceita ser esquecida.
Pode ser que eu não queira escapar.
Talvez a liberdade seja também aceitar
Os vínculos que escolhemos carregar.
Teu olhar me encontra no vazio do mundo
E, por um instante, o vazio olha de volta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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