segunda-feira, 27 de julho de 2026

Não sei o que procuras em mim

Teu olhar repousa sobre mim 
Como uma pergunta sem resposta. 
No breve encontro dos nossos olhos, 
Sinto o peso de existir 
E a estranheza de ser visto. 
 
Caminhei entre rostos e dias, 
Como quem atravessa corredores vazios. 
Mas teu olhar, tão simples e silencioso, 
Abriu uma fenda na rotina 
Por onde a realidade escapou. 
 
Não sei o que procuras em mim. 
Talvez nada. Talvez tudo. 
Ainda assim, quando me olhas, 
Sou arrancado da distração 
E devolvido ao enigma de quem sou. 
 
Tento fugir para as tarefas, 
Para os relógios e suas urgências. 
Mas teu olhar permanece, 
Como uma verdade incômoda 
Que não aceita ser esquecida. 
 
Pode ser que eu não queira escapar. 
Talvez a liberdade seja também aceitar 
Os vínculos que escolhemos carregar. 
Teu olhar me encontra no vazio do mundo 
E, por um instante, o vazio olha de volta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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