Como quem procura um nome esquecido no vento.
Vejo na poeira dos caminhos antigas perguntas,
E nos crepúsculos, respostas que nunca chegam.
Enquanto o mundo corre atrás de suas certezas,
Detenho-me diante das pequenas coisas que resistem:
Uma folha caída, um silêncio, uma sombra que sonha.
Talvez seja isso ser poeta: habitar as margens,
Escutar o que a pressa dos homens não escuta.
Encontrar no vazio uma espécie de morada,
E na solidão, uma conversa com o infinito.
Pois há verdades que não cabem nos discursos,
Mas surgem discretamente entre as fissuras do tempo,
Como estrelas aparecendo no fundo da noite.
Recolho fragmentos do que os outros ignoram:
A tristeza oculta sob os gestos cotidianos,
A esperança que sobrevive entre ruínas,
O espanto silencioso de simplesmente existir.
E faço da poesia meu abrigo provisório,
Não para fugir do mistério que nos cerca,
Mas para contemplá-lo com os olhos abertos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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