terça-feira, 28 de julho de 2026

Recolho fragmentos

Perambulo entre rostos, ruas e horas dispersas, 
Como quem procura um nome esquecido no vento. 
Vejo na poeira dos caminhos antigas perguntas, 
E nos crepúsculos, respostas que nunca chegam. 
Enquanto o mundo corre atrás de suas certezas, 
Detenho-me diante das pequenas coisas que resistem: 
Uma folha caída, um silêncio, uma sombra que sonha. 

Talvez seja isso ser poeta: habitar as margens, 
Escutar o que a pressa dos homens não escuta. 
Encontrar no vazio uma espécie de morada, 
E na solidão, uma conversa com o infinito. 
Pois há verdades que não cabem nos discursos, 
Mas surgem discretamente entre as fissuras do tempo, 
Como estrelas aparecendo no fundo da noite. 

Recolho fragmentos do que os outros ignoram: 
A tristeza oculta sob os gestos cotidianos, 
A esperança que sobrevive entre ruínas, 
O espanto silencioso de simplesmente existir. 
E faço da poesia meu abrigo provisório, 
Não para fugir do mistério que nos cerca, 
Mas para contemplá-lo com os olhos abertos. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário