terça-feira, 28 de julho de 2026

Onde dormem as estrelas

Quando estou carente de amor, me desfaço em silêncio, 
Como se o peito fosse vasto demais para conter o vazio. 
Há um eco suave chamando meu nome por dentro, 
E minha alma, inquieta, se desprende do corpo cansado, 
Partindo sem mapas, guiada apenas pelo sentir. 
 
Ela caminha por trilhas que os olhos desconhecem, 
Onde o tempo se curva e a dor perde a força. 
Carrega consigo meus desejos mais secretos, 
E um coração pulsando em busca de abrigo, 
Como quem espera ser encontrado no infinito. 
 
Há uma ternura no modo como ela se afasta, 
Não é fuga, é uma esperança em movimento. 
Vai recolhendo fragmentos de luz pelo caminho, 
Como se costurasse estrelas no tecido do vazio, 
Para vestir de sentido aquilo que em mim se rompe. 
 
E lá longe, onde as estrelas dormem em silêncio, 
Ela repousa entre sonhos que nunca envelhecem. 
Escuta o universo como quem ouve um segredo antigo, 
E por um instante, esquece a falta que me habita, 
Tornando-se leve como o sopro de um suspiro. 
 
Então retorna, aos poucos, ao meu peito cansado, 
Trazendo consigo um brilho que não sei explicar. 
E mesmo que o amor ainda não tenha chegado, 
Deixa em mim a certeza de que ele existe, 
Como as estrelas, distantes, mas sempre a brilhar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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