quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Doce é imaginar tua boca

Desejo oculto, ardente e contido, 
Em silêncio guardado, sem razão, 
Vibra o peito, o segredo recolhido, 
Num anseio a roubar meu coração. 
 
Que doce é imaginar tua boca, 
Suave, tentadora, ali tão perto, 
E, em sonhos, sentir, ainda que louca, 
A chama a iluminar o céu deserto. 
 
Mas calo este querer, guardo em segredo, 
O gosto da ilusão que me consome; 
Queimar em fogo lento sem enredo, 
 
Num beijo que jamais dirá teu nome. 
Assim, entre os silêncios e o desejo, 
Me perco no mistério deste ensejo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 26 de outubro de 2024

Labirintos oníricos

Parece-me que tem algo estranho ali 
Um deserto nas costas do poeta 
Adolescentes com simbolismo 
E eles traçam o seu imaginário 
Com os olhos eternamente fechados 
Não contemplam o que tem no mundo 
Percorrem os labirintos oníricos 
Que culminam nos jazigos silenciosos. 

Dizem por ai que não são presas fáceis 
Que escondem a verdadeira face 
Dos dementes demoníacos que perambulam 
Nas sarjetas escuras das vielas lúgubres 
De metrópoles abarrotadas de gente 
É onde o garoto descobre a dura verdade 
Que para se viver no deserto 
Terá que se tornar o senhor absoluto. 

Afirmam as más línguas por ai 
Que são herdeiros dos tormentos cotidianos 
Que vão mudar de opiniões em breve 
Quando seus olhares congelarem os momentos 
E ouvirem a eterna zombaria da morte 
Estão pisando tapetes peçonhentos no chão 
Após percorrerem caminhos épicos 
E transpirarem na infinita jornada da vida. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Lembra dos tempos passados?

Lembra dos tempos passados? 
De quando o mundo parecia um lugar bom 
De quando você caminhava sem preocupação 
Porque ninguém estava te observando 
E podia-se cantar pelo caminho 
Ver as flores 
Ouvir os pássaros 
E até se assustar com alguma cobra? 
Lá se foram esses anos 
Esse tempo onde a felicidade sorria 
Como uma criança feliz 
Pelos jardins da vida 
Onde se ouvia as belas canções 
Nos finais de tardes 
O por do sol era a mais bela poesia 
De quem estava apaixonado. 
O que fizeram dessa alegria? 
Por que transformaram o mundo dessa forma? 
Por que não temos mais a paz 
Os sonhos de outrora 
Que nos faziam sonhar mais alto? 
Quando foi que saimos do caminho 
Da direção certa para nossas vidas? 
Quem foi que destruiu o mundo assim? 
Fico em silêncio e tento ouvir as vozes 
Tento entender tudo isso que me cerca 
E quero muito viver outra vez 
Os amores que tenho nas lembranças. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Se meu coração pudesse falar

 Se meu coração pudesse falar 
Revelaria um grande segredo; 
Saberia que só em ti vive a pensar 
E que ao seu lado não existe medo. 
 
Ele gritaria aos quatro cantos do mundo 
O quanto vive contigo a sonhar; 
Do alto da montanha ao abismo profundo 
Anunciava que só deseja te amar. 
 
Se meu coração pudesse falar 
Então saberia a beleza da flor 
E a magnitude da lua a brilhar. 
 
Então deixaria de lado a dor 
Correria para ao meu lado estar 
E viveria para sempre esse amor. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 19 de outubro de 2024

O peso imenso das ilusões

Se um tolo sobe a montanha 
Nem mesmo os animais irá ouvi-lo 
O sábio descansa em sua humildade 
Aguardando a sua vez de expressar 
A sabedoria é um bálsamo para a alma 
Quando se saber ouvir atentamente. 

Existe uma violência em estar perdido 
Quando se caminha pelos campos da ilusão 
Nem mesmo as longas conversas fiadas 
São capazes de amenizar o sofrimento 
E, mesmo os dias sendo preenchidos de incompreensão, 
Essa violência acaba sendo ignorada. 

Todos aqueles de palavras erradas 
Querem ser ouvidos como estando certos 
São seres de olhares velhacos 
Que tentam de toda sorte se darem bem 
Aproveitando das distâncias existentes 
Entre os pais e filhos, mestres e discípulos. 

 Alguns ainda estão acorrentados na caverna 
Iluminados pela escuridão da ignorância 
Preferem o comodismo, a zona de conforto, 
O caminho mais fácil de uma vida miserável 
Porque essa escolha os afasta da árdua batalha 
Em busca de uma aventura superior. 

Quando encontrei o livro sagrado pelo caminho 
Fiz-me a pergunta crucial da existência 
Ouvi as vozes milenares de sábios e tolos 
Burburinhos e cochichos não inteligíveis 
Daqueles vultos que viviam nas sombras 
Que nunca puderam responder tais perguntas. 

E assim, na solidão de um deserto escaldante, 
O poeta precisou carregar nas costas 
O peso imenso das ilusões perdidas no tempo 
As inúmeras indagações de cabeças ocas 
E as lamúrias de tolos incomodados com o saber 
Porque os olhos estão fechados para o mundo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Perder-te

 Perder-te foi um vento em mar aberto, 
Que arrasta a alma ao cais da solidão, 
Num eco que ressoa o ser deserto, 
E deixa o peito em dor, sem direção. 
 
Teus passos são lembranças que deslizam, 
Marcando a estrada que não sei seguir, 
Meus sonhos, como folhas, agonizam, 
E o tempo se recusa a não me iludir. 
 
Tão breve foi teu riso em minha vida, 
Tão longa a noite que ficou na escuridão, 
Teu nome é chama em dor renascida. 
 
E assim, em cada dia nessa ilusão, 
Revejo em sombras a amarga ferida, 
Daquilo que perdi, no meu triste coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Além da conquista

Meus olhos se fecharam para o amor 
E eu não queria mais sonhar 
Só queria esquecer 
Seus olhos meigos a reclamar... 
A dor não incomoda 
Tanto quanto a solidão 
De saber que não está mais aqui 
Perto de mim a estender a mão. 
Além da conquista 
Do meu coração 
Você levou a minha alma 
E a deixou tão vazia 
Que não faz sentido andar sozinho 
Nesta jornada tão longa. 
Seus olhos me faz falta 
A ponto de desejar encontrá-los outra vez 
Mesmo que por um instante 
Apenas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Professor(a) - Homenagem aos mestres!

 I

São mestres de almas, de sonhos, de vida, 
Com mãos que ensinam e corações que guiam, 
No silêncio das salas, o futuro germina, 
Nas palavras que lançam, a esperança se ilumina. 
 
São faróis de luz em mares tempestuosos, 
Pacientes jardineiros de talentos formosos. 
Cada lição, uma ponte erguida, 
Cada olhar atento, uma história contida. 
 
O dom de ensinar é como o de plantar, 
Cultivam ideias, fazem mentes brotar. 
E mesmo nas pedras, no chão árido e infrutífero, 
Veem florescer o saber que é eterno admirar. 
 
II 
 
Na sala pequena, o mundo inteiro cabe, 
Entre livros, palavras, e o saber que não termina. 
Professor(a), és luz que nunca se apaga, 
Farol que guia quando o caminho do saber germina. 
 
Com paciência, ensinas a magia de aprender, 
Mostras horizontes onde antes não havia pensar. 
Em cada lição, uma nova porta se abre, 
E tua voz suave faz o futuro despertar. 
 
Nas folhas em branco, semeias esperança, 
Em cada olhar curioso, plantando a confiança. 
És mais que mestre, és amigo e guardião, 
Do saber, do tempo, do nosso coração. 
 
III 
 
No silêncio da sala, a voz se eleva, 
Guiando mentes, inspirando o saber, 
Em cada palavra, um mundo se revela, 
No olhar atento, a vida a florescer. 
 
Com paciência infinita, ensina a sonhar, 
Desenhar horizontes, plantar ideais, 
Nos erros e acertos, a força a brotar, 
Fazendo crescer seres integrais. 
 
Professor(a), és farol em meio ao caminho, 
Que ilumina a estrada a ser percorrida, 
Com sabedoria, aconchego e carinho, 
Tua missão é moldar toda forma de vida. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

À procura de mim

Perdi-me em mares de vento, 
Nas marés de um tempo incerto, 
Onde os sentimentos que invento 
Ficam entre o longe e o perto. 

Caminhei por estradas nubladas, 
Com o coração por bússola cega, 
Às vezes as dores caladas 
São tudo o que a alma carrega. 

Procuro-me nos risos antigos, 
Nas memórias que o peito insiste, 
Nos ecos de amores perdidos 
Que a saudade ainda persiste. 

Entre o medo e a esperança, 
Há uma sombra que sempre me guia. 
Perco-me e ganho, na dança 
Do que sou e do que já fui um dia. 

Assim sigo, em busca de um abrigo, 
De um sentimento que ainda me alcance, 
Pois talvez, no tempo perdido, 
Encontre quem fui em algum instante. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 13 de outubro de 2024

Absurdos cotidianos

Conta as horas e ignora os minutos 
Não faça mais do que deves fazer 
Tudo é cinza e sem vida por aí 
Onde almas estão emaranhadas no limbo existencial 
Com pés acorrentados em sete nós 
Com o sol entorpecido de absurdos cotidianos 
Onde se fala uma língua estranha sem nexo 
E brincam-se com as frestas feitas pelo destino 
E quando tudo parece ser tão nebuloso 
Conta-se as horas e ignoram os minutos. 

Palavras escritas fluem pelas veias 
São metáforas de um tempo obscuro e assustador 
Trazem profecias avassaladora sobre a humanidade 
Sobre o caos instalado no planeta terra 
Um vírus mortal que percorre todas as almas 
Injetado nas correntes sanguíneas 
Provocam desejos absurdos de destruição 
E ninguém se importa mais com as árvores caindo 
Nem mesmo com as projeções do fim do mundo 
Se cada um quer apenas estar em seu próprio mundo. 

Este é o desmascaramento da cidade 
Onde estão as vítimas de um sistema violento e opressor 
Onde acontece o entorpecimento esfumaçado do ópio 
De um ódio renovado pelo desejo de dominação 
E de controle absoluto das massas alienadas 
Parece-me que uma límpida paranoia flutua no ar 
Uma loucura absurda percorre cada becos e vielas 
Como se o mundo fosse mesmo um grande manicômio 
Onde todas as coisas são ramificações de seus tentáculos 
Sem ter a oportunidade de se livrarem desse destino. 

Alguém disse um dia em voz alta sobre os monstros 
Sobre os fantasmas vagando pelos becos desérticos 
Enquanto alguns críticos fizeram deboche de tal absurdo 
Dizendo que os olhos que veem tal coisa são de cegos 
Que não existe sinceridade nos pensamentos 
E que o mundo é um lugar seguro de se existir 
O problema em tudo isso é que ninguém tem razão de verdade 
Porque não se pode saber ao certo quem estão mentindo 
Se todos afirmam uma verdade inconcebível 
Como saber o que realmente acontece com os fantasmas? 

Houve um tempo que ficou perdido no horizonte 
Em que as pessoas acreditavam nos deuses 
O grande fato que incomoda a sociedade é o fim deles 
O saber que afasta as crendices da racionalidade 
O buraco que dá no fundo do abismo 
Houve um tempo em que existia palavras testamentárias 
Elas estavam na boca de um solitário 
E quando ele as proferia abria-se as portas 
O que se ouvia era que existem achados e perdidos 
E que o intenso é vívido se viver acreditando. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 12 de outubro de 2024

As defesas do coração

Bastou olhar para ela e perceber 
Ali estava a essência do amor 
Naquele olhar 
Naquele sorriso 
Que agora não saia mais de seus pensamentos. 
Como isso pode ser assim? 
Como foram rompidas as barreiras de seu coração? 
Que audácia dessa mulher 
Com esse olhar 
Com esse sorriso 
Derrubou as fortalezas 
As defesas do seu coração 
E agora se via prisioneiro desse sentimento 
Desse desejo louco de estar com ela 
De viver a vida com ela 
E estar em seus braços para sempre. 
O vento nas folhas lá fora 
A saudade e o desejo aqui dentro 
E o mundo já não parece fazer mais sentido 
Se não ver o seu olhar 
Se não ver o seu sorriso. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Entre o querer e o fugir

O desejo, em sombras, se estende 
Como brasa acesa que arde e consome, 
Mas logo se esconde em um mar de tédio, 
Um abismo entre o querer e o fugir. 
 
É querer tocar, e então, recuar, 
Como ondas que beijam e deixam a areia, 
Num vai e vem que nunca termina, 
Um ciclo de ânsia e melancolia. 
 
Aceitar o que se nega ao coração, 
E negar o que o peito insiste em chamar, 
É ser preso no meio do vento, 
Soprando em direções opostas, sem lar. 
 
E nessa dança de desejos inquietos, 
Abraço o vazio, mas nunca estou só; 
Pois no tédio encontro a paz que assusta, 
E no querer, o caos que me atrai e sufoca. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Ó Cáceres, terra de paz e calor

Cáceres, cidade de brilho pelo rio banhada, 
Entrelaça história de amor a natureza, 
No Pantanal, onde a vida é uma beleza, 
És joia que ao sol e lua é espelhada. 
 
Teus campos verdes e tuas águas sagradas, 
Guardam mistérios de um tempo na história, 
Nas lendas que o vento carrega na memória, 
Ecoando nos montes e nas longas jornadas. 
 
De tuas festas brota a devoção, 
Santos padroeiros em procissão, 
Cultura viva que o povo canta e sente. 
 
Ó Cáceres, terra de paz e calor, 
No coração levas com todo amor, 
O encanto simples do teu povo presente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Teu nome ecoa em mim

Em sonhos livres, voo em teu encanto, 
A vaguear nas brumas do desejo puro, 
Teu nome ecoa em mim, doce e seguro, 
Nas asas desse amor que é tanto, é tanto. 
 
Nos céus da mente, sou livre e audaz, 
Sem as correntes do mundo a me prender, 
Pois só em sonhos posso te ter, 
Onde o tempo de amar nunca é fugaz. 
 
Te encontro em cada estrela que desponta, 
Num céu que é só meu, feito de ilusões, 
E ali me entrego, sem qualquer afronta. 
 
Se não é real, não importa as razões, 
Pois no sonhar, o coração aponta 
Para o amor que vive em imaginações. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Consciência

    Tudo que foi falado não importa muita coisa. Ah! Deixa-me pensar um pouco. Não me fale o que não pode resistir depois. Eu sou apenas um peregrino em caminhos nunca dantes percorridos e não posso deixar de observar os olhares que desejam o meu fim. 
 
    Mas não importam o que pensam. Ah! Não importa mesmo. Eu continuarei firme e forte em minha jornada. Sei bem o que quero e onde quero estar. Nada pode impedir a minha imaginação de seguir os meus pensamentos. 
 
    Ontem eu vi um estranho no caminho e não sabia quem era. Meus pensamentos quase me enganaram. Era eu mesmo tentando livrar-me do meu corpo já cansado. 
 
    Minha consciência é um eterno paradoxo e não me faz acreditar em muitas coisas. O certo e o errado. Quem os criou? E para quem os criaram? 
 
    Existe uma estrada desconhecida em algum lugar perdido que leva ao paraíso escondido dos olhos humanos onde um dia Adão caminhou tranquilamente. Nem adianta rir das loucuras encontradas no jardim. As flores mentem para você. 
 
    Cada um vê exatamente o que quer ver. Quase não olham para o passado porque não gostam dele e preferem ficar pensando no futuro que nunca chegará. Apenas o presente é uma dádiva. O silêncio é uma paranóia em cabeças ocas que não pensam nem um pouco. 
 
    O fim de uma era não é mais importante do que a de uma pessoa. Eu continuo olhando para as folhas que caem das árvores e percebo o que se passa na mente dos indecisos. Há uma busca na consciência dos perdidos na jornada humana que incomoda muita gente. 
 
    Apenas deixe correr as nuvens pelo céu reluzente. O azul pode um dia não existir e apenas a ilusão de um colorido qualquer bastará para os olhos que desejam ver alguma coisa. Eu até mesmo já falei dos acontecimentos que não se podem negar, mas ignoraram as minhas queixas. Então eu deixei que tudo fosse destruído pelo tempo como as folhas mortas das árvores. 
 
    Aperta-me o peito essa dor da consciência maculada pelos pecados de outrora como se já não houvesse mais nenhuma salvação. Engana-se quem pensa tal sacrilégio. Penitentes estão por todas as partes e pode-se ouvir os seus gritos assustadores. 
 
    Não vou parar por aqui. Não agora. Não nesse tempo. Vou permitir que haja um novo dia, uma nova lembrança de alguém que desejou ir até o fim e o fez sem medo de ser taxado como louco. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Resta o vazio

Na penumbra que envolve a alma, 
Surge o eco de um sonho desfeito, 
A bruma espessa cobre o peito, 
E o tempo, em suspiro, se acalma. 
 
Oh! Vã esperança, tênue luar, 
Que outrora fulgia tão brando, 
Agora, em sombra, vai desmanchando 
No abismo profundo do pesar. 
 
As estrelas, antes tão belas, 
Fizeram-se pálidas, frias, 
Como se as quimeras vazias 
Tivessem roubado o brilho delas. 
 
E no olhar, o cansaço repousa, 
Um cemitério de emoções perdidas, 
Onde as memórias, doridas, 
Guardam o silêncio da alma que ousa. 
 
Desilusão é o véu que encobre, 
A ilusão que um dia guiou, 
Na escuridão onde se plantou 
A flor do desejo que morre. 
 
Simbolismo, no ar rarefeito, 
Eco de vozes que já não são, 
Resta o vazio, o vão coração, 
Desencanto profundo no peito. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

O tédio já não é o meu amor

O tédio já não é o meu amor, 
Perdeu-se nas esquinas do tempo, 
Em dias longos, onde o vento 
Já não sopra canções de fervor. 
 
Antes, sua mão fria me guiava, 
Pelos campos vazios da mente, 
Um eco, sempre persistente, 
Da alma que tudo esperava. 
 
Mas hoje, os olhos veem mais longe, 
Além da monotonia cinzenta. 
A vida, que antes era lenta, 
Agora corre, como um rio que esconde. 
 
As horas já não são desertos 
Onde nada nasce, nada morre. 
O coração, que antes só corre 
Em círculos, hoje encontra caminhos certos. 
 
O tédio já não é o meu amor, 
Não mais me prende em sua teia. 
Agora, a vida é uma centelha 
Que arde em cores e novo vigor. 
 
Deixei para trás sua prisão, 
Seu silêncio que tudo envolvia. 
E encontrei, na luz do dia, 
O pulsar novo de uma canção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Cáceres

Às margens do Rio Paraguai, nasceste, 
Cáceres querida, de alma intensa. 
Princesinha desse rio, tão bela e serena, 
Teus campos vastos, verdes se estendem, 
Onde o Pantanal e o céu se encontram. 
O sol te abraça com luz dourada, 
E a natureza em ti se faz encantada. 
 
Teu povo é forte, tem raiz de valor, 
Carrega no peito um imenso amor. 
Dos pescadores ao som das canções, 
Vibram no ar as tradições. 
Em ti sempre, a vida floresce, 
O rio te banha, te enaltece. 
Princesinha que o mundo vem saudar. 
 
Cidade antiga, cheia de paz, 
Tua beleza ninguém contradiz. 
Cáceres, terra de encantos mil, 
Joia preciosa do meu Brasil. 
Em ti os sonhos não deixam de acontecer. 
Quando a poesia vem florescer, 
Tudo se transforma em uma linda canção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
Homenagem aos 246 anos de Cáceres, MT