terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Mais um ano se encerra

Mais um ano se encerra em doce brisa, 
Ciclo que passa em tempo tão ligeiro, 
Como folha que o vento suaviza, 
E se despede em voo derradeiro. 

No peito guardo um eco verdadeiro, 
De cada riso, luta e cada aurora. 
As dores, lições; o amor, um luzeiro, 
Que a alma aquece e nunca se demora. 

Gratidão é a luz que nos conduz, 
Por cada passo dado, mesmo incerto. 
Por cada sonho, mesmo que distante. 

Pois no horizonte há sempre nova luz, 
E em cada fim há um recomeço certo, 
Promessa viva de um novo dia radiante. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 29 de dezembro de 2024

A chave do coração

Eu diria que tinhas a chave em mão, 
Mas nunca precisaste de tal poder; 
Teu toque suave, feito de emoção, 
Abriu-me a alma sem nada dizer. 

Nem tranca ou segredo pôde impedir 
A força serena do teu existir, 
E mesmo o que temo, ou tento esconder, 
Aos olhos teus vem logo a se render. 

Foste bem mais que a chave do coração, 
Foste o sussurro que aquece e desfaz 
A frieza do medo da solidão. 

Assim entraste, livre e sem sinais, 
Pois no meu peito nunca houve prisão, 
Só a espera do amor que dás e traz. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 28 de dezembro de 2024

Nas salas de justiça

Vidência é fogo que arde constante 
Nas projeções sem futuro da humanidade 
Na mente dos impuros e desorientados 
Que acreditam nas maiores besteiras 
Dos que desejam apenas enganar os tolos 
Que não procuram respostas nos livros 
E nas experiências de sábios antigos. 

A chave do mundo continua escondida 
Onde ninguém é capaz de suspeitar que esteja 
Porque a mente não pode ir além de seus limites 
Sem correr o risco de ter a cabeça estourada 
Com os mistérios que envolvem a existência 
E provocam a amnésia absoluta dos mortais 
O que acaba sempre ao dormir. 

Relíquias passageiras são aberrações 
Que escondem os mais nefastos pensamentos 
De pessoas que causaram o mal nas outras 
E desejam não comparecer no julgamento final 
Porque sabem que serão expostos para todos 
Os seus pensamentos mais secretos 
Que só de pensar já podem ser condenados. 

A podridão não pode ser escondida 
Sem que afetem as narinas saudáveis 
E alguns ainda insistem em querer esconder 
Suas artimanhas sórdidas planejadas na cama 
Onde maquinam uma forma de obterem vantagens 
E construírem os seus impérios do mal 
Em detrimento ao sofrimento de inocentes. 

Resquícios de mentiras há por todos os lados 
Como se não houvesse um amanhã 
E nem mesmo um julgamento final de todas as coisas 
E cada um caminha de cabeça erguida 
Como se não existisse uma colheita 
Onde tudo que foi semeado um dia será colhido 
E cada um irá receber o que tiver feito. 

Tempos utópicos e assustadores o que vivemos 
Com as carapuças sendo camufladas cotidianamente 
Nas suntuosas salas de justiça 
O que mais se contempla são as injustiças 
Feitas a revelia dos injustiçados pela vida 
Que servem de massa de manobra 
Para os que se acham acima de qualquer lei. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Você mudou o meu viver

Eu pensei que tudo tivesse chegado ao fim 
Quase perdi a esperança 
Pensei que meu coração não pulsaria mais 
E tudo me parecia um inverno rigoroso 
Um frio que cortava a minha alma 
E fazia meus ossos estremecerem 
De angústia e solidão. 
Mas, quando parecia não haver outra saída 
Eu vi você. 
Eu vi o seu sorriso 
Vi o seu olhar que brilhava 
Como uma estrela na noite escura 
E esse brilho invadiu a minha alma 
Como o sol do meio dia 
Aqueceu-me 
Mudou a minha estação 
Tirando-me daquele inverno gélido 
Que torturava-me sem piedade. 
Senti-me no verão do seu calor 
E o aroma das flores da primavera 
Penetrar meu sentimento. 
Você tornou os meus dias melhores 
Você me fez sorrir 
Fez-me ter esperança. 
Quando pensei não mais ter amor 
Eis que seus olhos lindos 
Seu sorriso encantador 
Fez renascer em mim esse sentimento. 
Um amor que toma conta de todo o meu ser 
Que me faz cantar no amanhecer. 
Sou feliz em te conhecer 
Porque somente você 
Fez o impossível acontecer... 
Você mudou o meu viver. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Bastilha e utopia

A brisa corrupta do verão, 
Carrega o cheiro amargo da revolta, 
Enquanto a Bastilha grita de dor, 
Ecos de pedra e alma em derrota. 

Poucos a vislumbrar tempos simbólicos, 
Nas sombras de um futuro que ainda hesita, 
Alguns colecionando cabeças humanas 
E sorrisos falsos — máscara maldita. 

Será a utopia escrita no sangue? 
Ou apenas um sonho à deriva no mar? 
Ruas clamam por justiça e esperança, 
Mas o preço da verdade é difícil de pagar. 

Entre cinzas e fogo, nasce o amanhã, 
Num mundo que insiste em se reconstruir. 
A brisa do verão segue em sua dança, 
Corrompida, mas viva, a nos ferir. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Amar escondido

Amar na sombra, sem ser percebido, 
É dor que a alma guarda em silêncio. 
Do peito nasce um pranto tão contido, 
Que grita em ecos no espaço suspenso. 

Teus olhos busco, mas fogem, esquivos, 
Não sabem ler o afeto em meu olhar. 
São sonhos mudos, desejos cativos, 
Que insistem em nascer sem germinar. 

Se ao menos fosse o vento a levar 
O que me pesa, o que me é segredo, 
Não haveria o que tento ocultar. 

Mas guardo o amor em manto de medo, 
Pois sei que exposto, ao mundo a vagar, 
Será desprezo o que hoje é enredo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 22 de dezembro de 2024

Em seu olhar

Esse olhar a ofuscar a minha visão 
A razão do meu sentimento 
O meu pensamento em ti 
Como se não existisse um fim 
E eu assim tão apaixonado 
Pela beleza singela 
Que encontrei em seu olhar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 21 de dezembro de 2024

Sua imagem gravada em meu coração

O tempo tem sido cruel comigo 
Nesse período em que caminho sozinho 
Desde que você se foi 
Na madrugada fria do inverno 
E minha alma ficou sem te ver. 
A tristeza maior do meu coração 
É não saber para onde foram seus passos 
E por que deixou de me amar. 
Não entendo sua despedida. 
Percorro os lugares mais inóspitos 
Na esperança de encontrar seu sorriso 
Mas minha busca é vã. 
Mesmo os melhores sorrisos que vejo 
Não se compara ao seu sorriso. 
Os olhares fugazes das mulheres mais lindas 
São incapazes de ofuscar o brilho do seu olhar. 
Tenho sua imagem gravada em meu coração 
E fico olhando-a quando deito. 
Os momentos alegres que passamos juntos 
Desfilam em flash 
E faz-me recordar os bons momentos 
De um amor que aconteceu. 
Percorro as ruas desertas e gélidas 
Da cidade que te esconde. 
Preciso te encontrar 
Para afastar de minha vida a solidão 
Que sinto em não te ver. 
Nada se compara a você 
E nada vai substituir a sua presença. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Que faria eu?

Se um dia te perder, que seja engano, 
Um sonho vão que ao despertar se apaga. 
Pois teu amor, que em mim se fez oceano, 
É chama viva que no peito alaga. 

Sem ti, o mundo perde o seu fulgor, 
O dia escurece, a noite não termina. 
És meu sustento, meu fiel vigor, 
O norte que a minh’alma descortina. 

Que faria eu sem teu calor tão puro? 
Errante, preso à sombra do passado, 
Um náufrago sem rumo em mar escuro. 

Mas por enquanto, tenho-te ao meu lado, 
E peço ao tempo, sábio e sempre seguro, 
Que em nós deixe o amor eternizado. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

As estruturas do mundo

O que escrevo aqui não pode ser chamado de poemas 
Talvez fragmentos de pensamentos soltos pelos ares 
As memórias de uma mente confusa pelo tempo 
Ou saudades torturantes na caminhada da vida 
Palavras que comovem mentes e ocupam corações 
Declamação de segredos que são ouvidos atentamente 
A transpiração de quem não vive somente de inspiração. 

Existe uma beleza gramatical nas palavras 
Nos verbos que são conjugados pelos ouvintes 
Aventuras clamando poemas em dias futuros 
Incertezas dos destinos das testemunhas vivas 
De lugares onde estão monstros e heróis perdidos 
Que percorreram os caminhos míticos da tragédia 
E não podem mais esquecer os olhares inocentes. 

O maior pesadelo do artista são os demônios da criação 
A paranoia da imaginação ser uma criatura selvagem 
Onde as boas lembranças tornam-se fantasmas 
E toda lentidão é perpetuada e sentida na solidão 
Dos que não ouvem mais a voz da perda que paira no ar 
Porque algum pássaro moribundo voou para longe 
Levando consigo toda a esperança de um dia de paz. 

Dizem que existe uma ilusão de ótica invisível 
Que pode abalar as estruturas do mundo 
Máquinas atômicas prestes a implodir o universo 
Porque não se sabe até onde vai o seu limite 
São revelações de destruição em massa num piscar de olhos 
Que podem mudar todos os cenários possíveis 
E talvez aí esteja o segredo de Deus. 

Escondido em um canto qualquer do universo 
A eternidade não pode revelar para os mortais 
O que eles não podem entender nem em milhões de anos 
Que a sua pequenez é tão assustadora e ínfima 
Essa é a percepção de um poeta esquecido no tempo 
Que imagina a chave do mundo nas mãos poderosas 
De quem o conhece além do tempo e da eternidade. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Saudade! Quem sente?

Ah! Chega um momento em que temos que falar. 
O coração sente uma profunda saudade 
Que não conseguimos deixar escondida. 
Nossos olhos confessam. 
Sinto saudade de tudo. 
Do seu olhar, do seu sorriso 
E das pequenas broncas do cotidiano. 
Quem não sente saudade de um grande amor? 
Saudade parece não ter explicação. 
Mas, ela existe e está grudada em meu coração. 
Não sei dizer exatamente do quê 
Mas, sinto muitas saudades de você. 
Tento sufocar as lágrimas enquanto folheio a poesia 
E aperto o coração para sufocar o desejo 
De estar junto a você. 
Tudo é em vão. 
Quanto mais faço isso, mais o coração almeja o seu olhar. 
Ele busca sua presença 
Sua voz na imensidão do silêncio que me cerca 
E deixo-me voar no infinito 
Na esperança de te encontrar. 
A saudade que sinto de você 
É uma saudade que machuca, que incomoda, 
Que tira minha calma. 
Ressente-se o coração pela distância do seu. 
Saudade! Quem sente? 
Todos, com certeza. 
Saudade assim? 
Eu sinto de você. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Ainda meus olhos te procuram

Mesmo que eu tente disfarçar 
Não é possível esconder 
Que meus olhos procuram por você 
Na esperança de ver o seu olhar. 
Quando não os vejo sinto a solidão 
O silêncio do tempo a me sufocar o desejo 
Em te encontrar 
E ver o seu sorriso tão encantador. 
Você não mais está aqui 
E meus passos se perderam na noite do adeus 
Em que disse as últimas palavras 
Que me fizeram chorar. 

Ainda meus olhos te procuram 
Porque há no meu coração sofredor 
Uma esperança de encontrar-te 
Na noite dos meus sonhos 
Sob a luz do luar. 

Há no meu coração um desejo 
Que me faz ter esperança em te encontrar 
E ver você sorrindo como uma borboleta 
A desfilar sua beleza pelos jardins da vida. 
No espelho te procuro 
Mas só vejo a minha própria miragem tão triste 
Desde o dia em que deixou comigo a saudade 
De seus olhos sedutores. 

Ainda meus olhos te procuram 
Mesmo que seja por um momento qualquer 
Eles possam contemplar a sua forma singela 
De encantar quem vê a beleza da sua alma 
Estampada em seu olhar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 15 de dezembro de 2024

Flecha de amor ardente

Do arco curvado, feito de estrelas, 
Surge a promessa que o cosmos revela. 
Uma flecha, ardente como o coração, 
Rasga o silêncio, vibra a emoção. 

Seu corpo é fugaz, seu voo é chama, 
E no universo sua luz proclama. 
Corta a noite com brilhos dourados, 
Um rastro de amor aos céus dedicado. 

Não há limites, nem sombra ou fim, 
Seu destino é além do próprio jardim. 
Cruza galáxias, planetas, sistemas, 
Sem medo ou tempo, sem dilemas. 

No peito do infinito, ela se abriga, 
Desperta astros, estrelas antigas. 
E onde toca, uma dança começa, 
Um fogo eterno, que nunca cessa. 

Pois o amor, na essência, é isso, 
Uma flecha disparada ao infinito. 
E ao alcançar seu alvo distante, 
Une o eterno nesse mesmo instante. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 14 de dezembro de 2024

Vida

A vida é uma coisa incrível, 
Espetacular, para ser mais preciso. 
É uma arte moldada pelo maior artista 
É um sonho. 
O mais lindo já sonhado. 
Nascemos, crescemos e depois morremos. 
Ai o jogo termina. 
Para aqueles que acreditam em uma vida posterior, 
Possivelmente há uma continuidade. 
No entanto, mesmo que haja outra vida, 
Ela não é a mesma que temos aqui 
Temos uma única oportunidade de viver 
Abrimos os olhos e ai tem uma jornada a ser seguida 
Uma flor que desabrocha na primavera 
E nos mostra um caminho lindo a seguir. 
Cada olhar que cruzamos durante o dia 
Nos mostra o quanto somos importantes 
O quanto à vida é bela. 
Vá aos epitáfios e considere essa oportunidade 
A saudade estampa cada túmulo de vidas que se foram. 
Passamos o dia sem notar uma folha que cai das árvores. 
Esquecemo-nos de observar o pôr-do-sol 
E não ouvimos o cantar dos pássaros. 
Então a vida passa 
E quando percebemos, ela se foi. 
Os olhos tristes a olhar pela janela 
Lembrar que a vida passou em brancas nuvens 
E nunca mais voltará. 
O que nos espera do outro lado do portal? 
Essa vida que tivemos aqui já se foi. 
Sou a primavera a despertar em flores 
Sou o sol de verão 
Sou o amarelar das folhas no outono 
E a chuva fina do inverno. 
Tenho uma vida dada pelo Criador 
E feliz por viver. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Me veste de amor

Eu ando tão apaixonado 
Que não consigo esconder 
Que a saudade me devora 
E nem sei mais o que dizer. 
Me veste de amor 
Cubra-me com o manto da paixão. 
Você me faz sorrir, 
Você me faz ver a alegria 
Que existe em viver. 
Seu sorriso é tão meigo 
Seus olhos singelos 
Me conduz ao paraíso. 
Eu ando tão apaixonado 
Que não consigo esconder esse amor. 
Ele salta aos olhos 
Não consegue ficar preso ao coração. 
Você tem que saber 
Que é a razão do meu viver. 
Me veste de amor 
Deixe-me andar em seus caminhos. 
A felicidade está onde você está. 
Caminhar com você 
É sentir o frescor da manhã perfumada 
É ouvir o cantar dos pássaros. 
Não há tristeza em seu olhar 
Por isso ando tão apaixonado. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Discurso ao penhasco

Amo que tu não fales, ó penhasco, 
Que teu silêncio é vasto, tão profundo, 
Como quem guarda em si todo o mundo, 
Sem dar ao som a chance de ser fiasco. 

Tua mudez tem força de um carrasco, 
Que ceifa o ruído vão e moribundo; 
E ao vento que te toca, vagabundo, 
Só dás o eco, breve e mais opaco. 

No teu calar repousa a eternidade, 
Pois nele o tempo ousa se esconder, 
Sem pressa de avançar na realidade. 

E assim me ponho a ti, a agradecer: 
Que nunca hajas palavra ou vaidade, 
Pois teu silêncio basta para ser. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Um breve hiato

Páginas escritas com palavras tolas 
Olhares perdidos no horizonte 
E ninguém quer ouvir suas lamurias 
Apenas aguardam o tempo passar 
Para esconderem as suas angústias na escuridão. 

Pode ser que o mundo acabe hoje 
Ou pelo menos para mim 
E não importa muito porque tudo é passageiro 
Apenas há um breve hiato 
Entre a chegada e a partida. 

Falamos de coisas que não conhecemos 
E até conseguimos imaginar além 
Mas tudo não passa de sonhos perdidos 
No grande universo das desilusões 
Enquanto alguns acreditam em outras coisas. 

Pare um pouco e pense em você mesmo 
O que faz sentido no seu caminhar? 
A sua existência provoca alguma mudança no mundo 
Ou é apenas mais um grão de areia 
Na imensidão da praia deserta? 

Os escrivães estão de mãos atadas 
E os escribas não conseguem copiar mais nada 
Apenas os mensageiros gritam a plenos pulmões 
Anunciando um fim desesperador que se aproxima 
Para varrer toda tolice humana do planeta. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Tudo é tão estranho

No silêncio de uma sala vazia 
O pensamento insiste em buscar 
Uma luz que não existe ali 
E um sonho que não se pode sonhar 
Pelo caminhar de um trôpego 
Que não conhece o seu lugar. 

Tudo é tão estranho por aqui 
Apenas sorrisos escondidos nas máscaras 
De palhaços assustadores 
Vindos do espaço infinito 
Em busca de vidas que os façam sorrir 
Se não tudo acaba no vazio. 

Alguém falou que era fácil 
Que poderia ser feito no mesmo dia 
Só esqueceram de avisar aos intrusos 
Que a vida é mais difícil 
Quando não se tem alguém para lutar 
E o medo não faz sentido algum. 

Em algum lugar do universo 
Olhares atravessam a escuridão 
E contemplam o desespero de tolos 
Que acreditavam em deuses oniscientes 
Quando na verdade não passavam 
De outros tolos criados pelos homens. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 8 de dezembro de 2024

Alienados no teatro digital

Na palma da mão, um mundo cintila, 
Promessas de conexão e saber, 
Mas por trás da tela que brilha, 
Quantos se perdem sem perceber? 

O celular, farol de modernidade, 
Guiando olhos por mares virtuais, 
Desvenda mundos, encurta cidades, 
Mas isola corações nos seus cais. 

Nas redes, tecemos ilusões, 
Curtidas e filtros que moldam o ser, 
Mas a troca de olhares, as emoções, 
Desfazem-se no toque do esquecer. 

Quantos sorrisos deixamos de ver, 
Fixos no brilho que não se apaga? 
Quantas palavras deixamos de dizer, 
Pelo silêncio de uma tela amarga? 

Alienados no teatro digital, 
Marionetes de algoritmos sutis, 
Somos o público e o principal, 
Do espetáculo que nos faz tão febris. 

É urgente olhar para além do vidro, 
Sentir o vento, ouvir o coração, 
Pois viver é mais que um feed perdido, 
É tocar a vida com as próprias mãos. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 7 de dezembro de 2024

A sabedoria da ilusão

Caminhar é preciso 
Mesmo não havendo mais forças para tal. 
Uma solidão gélida acompanha-me 
Sempre lembrando-me de quem 
Não consigo esquecer. 
Havia uma esperança de felicidade 
De olhares profundos 
E toques. 
Uma esperança de alegria 
Em olhares de amor 
Afagos e compreensão. 
Tudo isso não passava de miragem 
Como se estivéssemos em um deserto. 
Eis a sabedoria da ilusão. 

Não era medo de perder-te na noite fria. 
Era a ausência de um olhar 
Que norteava minha vida. 

Sempre houve o amor 
E com ele todas as esperanças de felicidades 
Que um casal precisa para ser feliz. 
Mas, tudo não passava de ilusão. 
Como ela foi sábia! 
Enganou-me direitinho. 

Quando pensei que estava tudo bem 
O castelo de sonhos ruiu 
Levado pelas ondas da ignorância 
Do despreparo para uma vida a dois. 
Sonhos que ruíram 
Corações magoados que ficaram 
Parados no tempo. 

O que resta é só a imaginação 
De como tudo teria sido diferente 
Se ambos tivessem pensado um pouco mais. 
Mas, eis a sabedoria da ilusão 
Que destruiu todo esse sonho. 

Não há mais esperança 
De que tudo acontecesse de outra forma. 
Tudo é ilusão. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 1 de dezembro de 2024

O homem esquecido

Entre arranha-céus que rasgam o céu cinzento, 
Caminho só, no silêncio do vento. 
O mundo avança, veloz, destemido, 
E eu, parado, sou um eco perdido. 

Robôs brilham onde antes havia suor, 
Falam de progresso, mas onde está o amor? 
Conexões de fibra, frias como o aço, 
E eu, de carne, tropeço no espaço. 

Meus pés conhecem a terra, o chão bruto, 
Não o brilho efêmero de um mundo astuto. 
Minhas mãos guardam histórias, calos e dor, 
Mas hoje são sombras de um tempo anterior. 

Sou ponte esquecida entre o ontem e o amanhã, 
Uma voz que se apaga, eco de um afã. 
Não sei da língua das máquinas nem seus sinais, 
Minha poesia é feita de versos ancestrais. 

Para o mundo evoluído, sou um erro do tempo, 
Um suspiro antigo, levado pelo vento. 
Mas se sou esquecido, que reste o saber: 
A alma humana, nem o aço pode conter. 

Deixo aqui meu legado, em palavras escritas, 
Pois mesmo no esquecimento há vidas infinitas. 
Para o futuro que nasce, um simples pedido: 
Não esqueçam o homem, o homem esquecido. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense