A geração do instante vende a própria alma
Por migalhas de atenção e aplausos digitais.
Trocam silêncio por ruído, pensamento por tendência,
E chamam isso de liberdade moderna.
Carregam universos inteiros dentro das mãos,
Mas desaprenderam o peso de uma página aberta.
Sabem deslizar os dedos sobre telas infinitas,
Porém tropeçam diante de uma ideia profunda,
Como cegos assustados pela própria consciência.
A vaidade agora possui filtros e algoritmos,
E a ignorância dança vestida de opinião.
Os tolos não cochicham mais nos cantos:
Ganharam palcos, seguidores e microfones,
Enquanto a lucidez apodrece no abandono.
Há jovens que nunca tocaram o silêncio,
Porque vivem anestesiados por notificações.
Não contemplam o céu, não escutam a noite,
Não suportam a solidão de pensar sozinhos,
Pois foram treinados para fugir de si mesmos.
E eu escrevo contra esse desfile de superficialidades,
Contra essa fome vazia de existir apenas na aparência.
Meus versos carregam ferrugem, fumaça e indignação,
Porque ainda acredito que pensar é um ato de rebeldia
Num tempo em que a estupidez virou espetáculo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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