sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A estupidez que virou espetáculo

 Nas avenidas luminosas da distração, 
A geração do instante vende a própria alma 
Por migalhas de atenção e aplausos digitais. 
Trocam silêncio por ruído, pensamento por tendência, 
E chamam isso de liberdade moderna. 
 
Carregam universos inteiros dentro das mãos, 
Mas desaprenderam o peso de uma página aberta. 
Sabem deslizar os dedos sobre telas infinitas, 
Porém tropeçam diante de uma ideia profunda, 
Como cegos assustados pela própria consciência. 
 
A vaidade agora possui filtros e algoritmos, 
E a ignorância dança vestida de opinião. 
Os tolos não cochicham mais nos cantos: 
Ganharam palcos, seguidores e microfones, 
Enquanto a lucidez apodrece no abandono. 
 
Há jovens que nunca tocaram o silêncio, 
Porque vivem anestesiados por notificações. 
Não contemplam o céu, não escutam a noite, 
Não suportam a solidão de pensar sozinhos, 
Pois foram treinados para fugir de si mesmos. 
 
E eu escrevo contra esse desfile de superficialidades, 
Contra essa fome vazia de existir apenas na aparência. 
Meus versos carregam ferrugem, fumaça e indignação, 
Porque ainda acredito que pensar é um ato de rebeldia 
Num tempo em que a estupidez virou espetáculo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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