O pensamento não nasce do grito,
Nem da pressa que atropela os dias.
Ele desperta onde o silêncio respira,
Como um rio que corre sem alarde
Pelos vales ocultos da alma.
É no recolhimento que a mente floresce,
Despindo-se das máscaras do ruído.
Cada pausa torna-se um espelho,
Onde a verdade, antes dispersa,
Reaprende o próprio nome.
O mundo celebra a velocidade,
Mas a sabedoria prefere o compasso lento.
Ela caminha descalça entre as horas,
Colhendo as sementes invisíveis
Que o barulho jamais percebe.
Quem aprende a conversar com o silêncio
Descobre que ele nunca está vazio.
Há memórias, esperanças e perguntas,
Há respostas amadurecendo em segredo,
Como frutos escondidos entre as folhas.
Quando a palavra finalmente surge,
Já não é apenas som, mas essência.
Traz consigo a paz do recolhimento,
A força discreta da contemplação
E a luz serena de um pensamento profundo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














