terça-feira, 11 de agosto de 2026

Braços invisíveis

 Às vezes contemplo o horizonte 
Como quem procura o próprio nome no vazio. 
Há uma distância entre o que vejo 
E aquilo que imagino existir, 
E nela construo minha morada provisória. 
 
O futuro estende seus braços invisíveis, 
Mas não revela o que guarda em suas mãos. 
Caminho em sua direção mesmo assim, 
Sabendo que cada resposta encontrada 
Gera uma pergunta ainda mais profunda. 
 
Talvez existam dimensões além da matéria, 
Ou talvez apenas inventemos abismos para atravessar. 
O universo permanece em silêncio, 
Enquanto nós, frágeis viajantes, 
Preenchemos a escuridão com significado. 
 
Um único olhar alcança muito longe, 
Mas nunca consegue alcançar a si mesmo por inteiro. 
Há sempre um território desconhecido 
Entre quem observa o mundo 
E quem tenta compreender sua existência. 
 
No fim, o horizonte não é um lugar. 
É a consciência de que jamais chegaremos ao fim da busca. 
Ainda assim seguimos adiante, 
Não porque conhecemos o caminho, 
Mas porque caminhar é a nossa forma de existir. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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