quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Não lamento o desejo

 Não lamento o desejo que não se cumpriu, 
Nem a porta que permaneceu fechada; 
Aprendi que nem todo caminho perdido 
É uma derrota contra o destino, 
Às vezes, é o destino poupando meus passos. 
 
Quis o que não veio, e sobrevivi; 
Esperei o que não chegou, e amadureci; 
Pois aquele que domina o próprio querer 
Não se torna escravo daquilo que deseja, 
Nem chama de tragédia aquilo que não possui. 
 
Melhor a ausência que preserva a paz 
Que a presença que alimenta uma ilusão; 
Melhor perder um sonho antes de vivê-lo 
Que ganhar o mundo imaginado 
E perder a serenidade dentro de si. 
 
Não exigirei da vida aquilo que ela nega, 
Nem perguntarei por que fechou seus caminhos; 
Aceitarei o que não posso mudar 
E guardarei minhas forças para aquilo 
Que ainda depende da minha escolha. 
 
Hoje desejo menos e compreendo mais; 
Não porque tenha deixado de sonhar, 
Mas porque aprendi a não sofrer pelo impossível; 
Se vier, receberei com gratidão, 
Se não vier, permanecerei inteiro. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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