Teu olhar chega manso como a luz da manhã,
Sem ruído, sem pressa, sem querer dominar.
Traz consigo a simplicidade das águas calmas,
E uma ternura difícil de nomear.
Quando teus olhos encontram os meus,
Algo em mim esquece os caminhos da fuga
E permanece onde antes desejava partir.
Há nos teus olhos um silêncio que fala,
Uma linguagem antiga que dispensa palavras.
Tento desviar a atenção para o mundo,
Mas o mundo perde o brilho quando te afastas.
Teu olhar me alcança como uma lembrança feliz,
Daquelas que retornam sem serem chamadas
E encontram abrigo no coração distraído.
Por isso não consigo escapar desse encanto,
Nem romper a delicada prisão que me ofereces.
Teu olhar não tem grades nem correntes,
Apenas a leveza de quem vê com afeto.
E talvez seja esse o seu maior mistério:
Prender-me sem força, conquistar-me sem luta,
E fazer de um instante uma eternidade serena.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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