quinta-feira, 30 de julho de 2026

Não consigo escapar

Teu olhar chega manso como a luz da manhã, 
Sem ruído, sem pressa, sem querer dominar. 
Traz consigo a simplicidade das águas calmas, 
E uma ternura difícil de nomear. 
Quando teus olhos encontram os meus, 
Algo em mim esquece os caminhos da fuga 
E permanece onde antes desejava partir. 
 
Há nos teus olhos um silêncio que fala, 
Uma linguagem antiga que dispensa palavras. 
Tento desviar a atenção para o mundo, 
Mas o mundo perde o brilho quando te afastas. 
Teu olhar me alcança como uma lembrança feliz, 
Daquelas que retornam sem serem chamadas 
E encontram abrigo no coração distraído. 
 
Por isso não consigo escapar desse encanto, 
Nem romper a delicada prisão que me ofereces. 
Teu olhar não tem grades nem correntes, 
Apenas a leveza de quem vê com afeto. 
E talvez seja esse o seu maior mistério: 
Prender-me sem força, conquistar-me sem luta, 
E fazer de um instante uma eternidade serena. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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