quarta-feira, 2 de julho de 2025

Quem ouve as minhas palavras

 Quem ouve as minhas palavras 
Não escuta apenas sons, 
Mas recolhe sementes invisíveis 
Que plantei com as mãos da alma. 
 
Há ouvidos que são jardins. 
Neles, minha voz floresce 
Sem que eu saiba 
O nome da estação. 
 
Quem ouve as minhas palavras 
Carrega um pouco de mim, 
Feito rio que recebe o reflexo 
Mas segue o seu próprio caminho. 
 
Falo 
E se me ouves de verdade, 
És mais do que ouvinte: 
És espelho, eco e recomeço. 
 
Quem ouve minhas palavras com o coração 
Transforma silêncio em entendimento, 
E o mundo em volta, 
Num lugar mais terno. 
 
Se minhas palavras te tocarem, 
É porque, talvez, antes disso, 
O silêncio que há em ti 
Já conversava com o meu. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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