sábado, 13 de abril de 2024

Eu posso dizer não!

Pare de contar as horas 
Ignore todos esses minutos 
Viva como se o tempo não existisse 
Liberte-se das amarras 
Dos grilhões que te prende 
A este miserável mundo 
Ouça que o sol fala uma língua estranha 
A serpente voadora ejacula veneno 
E sua mente é devorada 
Por pensamentos indescritíveis 
Onde tudo é cinza e descascado 
Como se não bastasse a violência 
Que arranca as entranhas e vísceras 
Dos escravos da mentira. 
Tudo bem que não foi assim 
E você quase me convenceu 
Mas não acredite em mentiras 
Não, vocês jamais comprarão 
A minha massa cinzenta 
Os meus pensamentos são secretos 
Não conseguirão detectá-los 
Não mesmo 
Eu posso dizer não 
E vou falar não 
NÃO! 
Vocês não vão comprar a minha liberdade 
Não tenho medo de vocês 
Não vou me curvar a esses impropérios 
Não vou me calar diante dessas atrocidades 
NÃO! NÃO! NÃO! 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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