sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Não toleram a superfície

 A poesia e a filosofia não toleram a superfície. 
Elas caminham como ventos antigos, 
Levantando o pó do costume, 
Até que a paisagem banal se revele 
Cheia de sombras e relâmpagos. 
 
Arrancar a máscara do óbvio é um ato de revelação: 
Deixa-se ver o que sempre esteve ali, 
Mas adormecido nos cantos da consciência. 
É o despertar daquilo que se oculta 
Sob a pressa dos dias, 
Sob o peso das palavras gastas. 
 
O incômodo que provocam não é uma dor vulgar, 
Mas a vertigem da altura. 
De repente, estamos diante do abismo 
Não como ameaça, 
Mas como horizonte. 
 
A poesia acende a chama da pergunta, 
A filosofia alimenta o fogo da dúvida. 
Juntas, abrem clareiras na escuridão 
Para que o espírito perceba 
Que o óbvio nunca foi um destino, 
Apenas um repouso breve 
No caminho da descoberta. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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