Elas caminham como ventos antigos,
Levantando o pó do costume,
Até que a paisagem banal se revele
Cheia de sombras e relâmpagos.
Arrancar a máscara do óbvio é um ato de revelação:
Deixa-se ver o que sempre esteve ali,
Mas adormecido nos cantos da consciência.
É o despertar daquilo que se oculta
Sob a pressa dos dias,
Sob o peso das palavras gastas.
O incômodo que provocam não é uma dor vulgar,
Mas a vertigem da altura.
De repente, estamos diante do abismo
Não como ameaça,
Mas como horizonte.
A poesia acende a chama da pergunta,
A filosofia alimenta o fogo da dúvida.
Juntas, abrem clareiras na escuridão
Para que o espírito perceba
Que o óbvio nunca foi um destino,
Apenas um repouso breve
No caminho da descoberta.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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